Desporto

Ex-futebolista chinês apela à queda do Partido Comunista no aniversário do massacre de Tiananmen

Ian Hodgson

O ex-futebolista surge a ler um manifesto de 18 pontos, no qual exige o fim da atual estrutura de poder e classifica o PCC de "organização terrorista".

O antigo internacional chinês de futebol Hao Haidong surgiu esta quinta-feira num vídeo a criticar a atual liderança da China, aliando-se a um bilionário chinês radicado nos Estados Unidos e que apela à queda do Partido Comunista.

Hao aparece num vídeo difundido 'online', a jurar lealdade ao "Estado Federal da Nova China", uma alegada alternativa ao Partido Comunista Chinês (PCC), estabelecido pelo bilionário Guo Wengui, que vive exilado em Nova Iorque.

O ex-futebolista surge a ler um manifesto de 18 pontos, no qual exige o fim da atual estrutura de poder e classifica o PCC de "organização terrorista", que "atropela a democracia", viola o Estado de Direito e faz contratos que não pretende manter.

O antigo futebolista também abordou alguns dos tópicos mais sensíveis da China, pedindo autonomia para Hong Kong, as regiões de Xinjiang e do Tibete, e para a ilha de Taiwan.

O antigo internacional acusou ainda Pequim de lançar uma "guerra biológica" contra o mundo com a pandemia de covid-19.

O lançamento do vídeo ocorre no 31.º aniversário desde que o movimento pró-democracia da Praça Tiananmen foi esmagado, na noite de 3 para 4 de junho de 1989, quando os tanques do exército foram enviados para pôr fim a sete semanas de protestos, e numa altura em que Pequim reforça o controlo político sobre a região semi-autónoma de Hong Kong.

A conta de Hao no Weibo, uma rede social chinesa semelhante ao Twitter, foi rapidamente apagada. O jornal desportivo Titan condenou Hao num artigo por "prejudicar a soberania nacional" e comprometeu-se a nunca mais lhe dar destaque.

O futebolista de 50 anos foi avançado da seleção chinesa e jogou nos clubes de futebol Bayi e Dalian Shide, e passou ainda pelo clube inglês Sheffield United, mas retirou-se há mais de uma década.

Juntamente com o atual treinador da seleção da China, Li Tie, Hao era uma das estrelas do elenco que realizou a única participação da China num Mundial de futebol, em 2002, no qual a seleção chinesa perdeu os três jogos da fase de grupos e não marcou nenhum golo.

Hao ainda detém o recorde nacional de golos pela seleção, com 41 remates certeiros, em mais de 100 jogos pela China, e é também o maior goleador de todos os tempos na liga chinesa, com 96 golos.