Desporto

Antigo ginasta Nuno Merino admite ter "um bichinho" para se candidatar à Federação

Nuno Merino (em baixo), e Diogo Ganchinho no Campeonato do Mundo de Trampolim, em Kawazaki, no Japão.

Kim Kyung Hoon

Neste momento o português é coordenador da equipa de trampolins dos Estados Unidos.

O antigo ginasta português Nuno Merino, atual coordenador da equipa de trampolins dos Estados Unidos, admite trabalhar em Portugal e assume a vontade de, um dia, se candidatar à presidência da Federação de Ginástica de Portugal (FGP).

"Trabalhar em Portugal nunca está fora de hipótese. Tudo depende das oportunidades e das portas que se abrem. Dentro de mim tenho um bichinho que gostaria de se candidatar à presidência da FGP, no futuro, quem sabe se acontece", disse Nuno Merino, em declarações à agência Lusa.

A viver no Alabama desde 2013, Merino, que em 2004 se tornou no primeiro representante português nos trampolins em Jogos Olímpicos, com um sexto lugar na final, garantiu que mesmo estando nos Estados Unidos continua "muito ligado à ginástica em portuguesa" e considerou que a equipa nacional está preparada para lutar por um pódio.

"A evolução dos trampolins tem sido gigante nos últimos 10 anos"

"A equipa portuguesa neste momento é extremamente forte. Eu diria até, que é uma equipa preparada para disputar um pódio no campeonato do mundo. A evolução dos trampolins tem sido gigante nos últimos 10 anos", afirmou.

Nuno Merino entende que a "alteração de equipamento e a introdução de critérios mais objetivos na pontuação do ginasta veio elevar a equipa portuguesa a um nível superior ao que exista no passado" e garante: "Todos eles estão a saltar mais alto, a fazer saltos mais difíceis e totalmente comparáveis com os melhores do mundo".

Segundo o antigo atleta, que deixou a competição em 2012, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Londres, a única coisa a apontar ao desenvolvimento da modalidade em Portugal "é a falta de consistência em competições".

"Acho que esse seria o ponto a melhorar: realizar perfomances mais consistentes em competição. Mas claro, essa é a parte mais complicada de se conseguir no nosso desporto", referiu.

Depois de sete anos nos Estados Unidos, Nuno Merino assegurou que já se sente habituado a trabalhar numa realidade com uma dimensão completamente diferente da de Portugal e assumiu que "a capacidade inata que os portugueses têm de vencer na vida e de se adaptarem melhor, do que o comum mortal" o ajudou.

"Acho que nada nos prepara para esta realidade gigante, só nos conseguimos habituar vivendo um dia de cada vez. Tudo aqui é grande, e toma proporções enormes comparado com Portugal (...). Adaptação, improvisação, e aprendizagem contínua, com estas qualidades de português a habituação foi acontecendo. Agora é uma realidade normal para mim", frisou.

Merino, que em 2013 admitiu que a sua nova função seria "um trabalho a longo prazo" e estabeleceu os Jogos Olímpicos Tóquio2020 como um teste à evolução da modalidade nos Estados unidos, considera que o adiamento da competição para 2021, devido à pandemia de Covid-19, "foi a opção correta".

"Não se tratou de uma decisão radical ao ponto de cancelar os Jogos, mas sim adiar e ver como a evolução deste vírus irá ser. Acho que foi numa boa altura, pois assim os atletas puderam parar, convictos de que terão tempo, não só para voltar ao treino, mas também para chegar à forma em que estavam antigamente", afirmou.

O antigo atleta, natural de Tomar, reconheceu que o adiamento dos Jogos para o verão de 2021 causou "muitas alterações na preparação dos atletas" e trouxe preocupações do foro desportivo, mas também ao nível da gestão.

Adiamento dos Jogos provocou sensações diferentes nos atletas

"Existem muitas preocupações em cima da mesa, mas acho que temos de pensar no final da cadeia, nos ginastas. Esses, precisam de ajuda mais do que ninguém", realçou, explicando que é com base nesta ideia de ter "sempre em conta o bem-estar e o futuro dos ginastas" que desenvolve o seu trabalho.

Nuno Merino considera que o adiamento dos Jogos provocou sensações diferentes nos atletas: "Os mais novos ficaram aliviados com a decisão, porque sabem que poderão preparar-se durante mais tempo. Os que estão em final de carreira ficaram um pouco desiludidos, e devem ter-se questionado sobre continuar mais um ano ou terminar a carreira".

No entanto, o antigo atleta tem poucas dúvidas de que, "no final, todos perceberam a razão do adiamento, mesmo que não desejassem que ele tivesse acontecido".