Desporto

Guardiola diz que "Mourinho e os treinadores" deviam pedir desculpa ao Manchester City

LYNNE CAMERON

Pep Guardiola criticou esta terça-feira José Mourinho e outros treinadores pela "campanha de descrédito" contra o Manchester City, após a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) de anular a proibição da participação do clube nas competições europeias de futebol.

"O que fizemos foi correto. O José [Mourinho] e os treinadores que criticaram a decisão do TAS deviam saber que fomos prejudicados. Deviam pedir-nos desculpa", disse Guardiola, em conferência de imprensa.

O técnico catalão confessou estar "imensamente feliz" por uma decisão que demonstra que tudo o que disseram sobre o Manchester City "não era verdade" e defendeu que o clube "apenas se bateu fora do campo por aquilo que ganhou lá dentro".

Para Guardiola, o Manchester City "nada fez de errado" e, se o tivesse feito, "aceitaria a decisão" da UEFA, tendo apenas procurado defender-se porque "tem esse direito, quando acredita que agiu corretamente".

As declarações de Guardiola surgiram na sequência da decisão do TAS de dar provimento ao recurso que o Manchester City levou àquela instância judicial contra a proibição da participação do clube nas competições europeias nos próximos dois anos por violações graves das regras do 'fair-play' financeiro.

Guardiola voltou à carga contra os críticos, entre eles José Mourinho: "A presunção de inocência não existiu para nós. Quando não se concorda, basta bater à porta do nosso presidente, do nosso diretor executivo, e conversar. Não se vai por trás, a 'sussurrar' sete, oito, nove vezes. Vá e faça-o dentro do campo. Não pelas costas. Eu diria a essas pessoas 'olhem-me nos olhos e digam o que têm a dizer cara a cara'".

No espaço de uma hora, Guardiola e os outros dois treinadores de renome da Premier League, José Mourinho, do Tottenham, e Jürgen Klopp, do Liverpool, abordaram o assunto que causou um intenso debate em Inglaterra.

Na decisão do TAS, três dos seus juízes disseram que algumas das alegações da UEFA de que o Manchester City violou as regras do 'fair-play' financeiro durante vários anos não foram comprovadas e outras não foram consideradas por excederem um prazo de cinco anos e terem prescrito.

Não obstante a decisão favorável ao Manchester City, o TAS também reconheceu que o clube inglês não cooperou com a UEFA e aplicou-lhe uma multa de 10 milhões de euros, quando tinha sido punido com uma sanção inicial de 30 milhões de euros imposta pelos órgãos jurisdicionais da UEFA.

José Mourinho, que tem uma longa rivalidade com Guardiola no futebol inglês e espanhol, questionou o facto de o City ter sido multado quando, à luz da decisão do TAS, não violou as regras do 'fair-play'.

"É uma decisão vergonhosa. Se o Manchester City não é culpado disso, ter sido punido por alguns milhões é uma vergonha. Se não és culpado, não és punido. Se és culpado, deve ser banido. É uma decisão desastrosa. Se não és culpado, não tens de pagar", disse Mourinho.

Por seu lado, Jürgen Klopp mostrou preocupação com o futuro das regras do 'fair-play' financeiro, que considerou "uma boa ideia para proteger as equipas e as competições", mas disse entender que a decisão do TAS "não foi um bom dia para futebol".

"Se ninguém mais se importar com esta questão, então as pessoas ou os países mais ricos podem fazer o que querem no futebol e isso tornará a competição realmente difícil. Do ponto de vista pessoal, estou feliz que o City possa jogar a Liga dos Campeões no próximo ano, porque se eu pensar na Liga [inglesa] , e se o City tiver 10 a 12 jogos a menos para os seus jogadores descansarem, então não vejo que nenhuma outra equipa tenha hipóteses de vencer a Premier League", pontuou.