Desporto

Como são ingratos os italianos…  

José Manuel Freitas

José Manuel Freitas

Comentador SIC Notícias

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na escrita de José Manuel Freitas.

Não foi a melhor das jornadas europeias para o futebol português, mas olhando-se aos resultados conseguidos pelas três equipas ainda em competição há um razoável vento de esperança quanto à possibilidade de dois dos emblemas seguirem em frente. Concretamente o FC Porto, que venceu a Juventus (2-1) pela primeira vez na história dos confrontos entre os dois emblemas, e o Benfica, que empatou a um golo com os ingleses do Arsenal, no primeiro de dois jogos em campo neutro. Já o Sp. Braga, ao ser derrotado no seu ambiente pela Roma (0-2), parece condenado a colocar um ponto final na Liga Europa, depois de uma fase de grupos muito positiva.

Em Itália, quem pagou as favas de uma noite em que o campeão de Portugal foi claramente superior à Juventus foi Cristiano Ronaldo. Inevitável, diria. Tem sido assim quando a equipa de Turim não vence, já o era no Real Madrid. Porque CR7 continua a ser um dos melhores de sempre, tem de ser ele a resolver sozinho os problemas de uma equipa inexistente. E, valha a verdade, o craque luso já resolveu muitas dificuldades aos transalpinos. Mas ainda antes de dar corpo a algumas ideias sobre mais uma ronda de injustiças de que foi alvo, mérito aos portistas.

O FC Porto venceu porque Sérgio Conceição meteu no bolso Andrea Pirlo e a atitude competitiva dos dragões é insuperável e pede meças aos mais poderosos - aquele que foi um dos melhores médios mundiais está longe de corresponder a essa realidade enquanto treinador. Tendo à sua disposição um naipe de futebolistas de elevada qualidade, raras vezes consegue que funcione enquanto equipa. E quando a bola não chega a CR7 em condições, ou a equipa funciona de forma a que ele possa dar corpo à sua qualidade, o mais provável é a equipa não vencer. Por isso ocupa a 4.ª posição na Série A e pode perfeitamente ser eliminada da Champions, embora tenha de se admitir que no jogo da segunda mão a história pode ser outra.

Foi pena que no primeiro triunfo dos dragões em seis jogos – finalmente foram acertadas as contas da final da Taça das Taças de 83/84, num jogo em Basileia com muitas razões de queixa da equipa de José Maria Pedroto, já então bastante doente, e que foi liderada pelo também já desaparecido António Morais – o resultado não pudesse ter sido outro. Era mais justo o 2-0 (o 3-0 também esteve perto…) do que o 2-1, apesar de mesmo no finalzinho ter havido, em meu entender, motivo para penaltie cometido sobre Zaidu (um desastre a defender) sobre Ronaldo.

COSTAS MUITO LARGAS DE CRISTIANO RONALDO

A imprensa italiana, sempre pronta a desancar seja em quem for, encontrou em Cristiano Ronaldo o bode expiatório para uma das mais fracas noites da “vecchia signora” na Liga dos Campeões, reduzindo ao máximo o triunfo português (a Juve tem um troféu, o FC Porto dois…) e concentrando as atenções no português, confirmando-se que o futebol é momento, feito de injustiças e tem pouca memória.

Cristiano Ronaldo, realmente, esteve longe das suas melhores noites, até no Estádio do Dragão, onde pelo Man. United marcou um “golaço” que lhe valeu o Prémio Puskas. Mas daí a considerá-lo o “pai” da derrota vai uma grande distância. Não lhe chegando a bola, como é que pode criar situações de passe para golo ou rematar? Não tendo nas suas costas parceiros que lhe façam passes que possam resultar em perigo como é que vai superar as dificuldades? E depois não houve mérito dos portistas na forma como o impediram de brilhar? Ou Bentancur, Kulusevski, Morata, De Ligt ou Rabiot foram assim tão melhores que ele?

E as comparações com Mbappé são mesmo desculpas de mau pagador. Acredito que o francês, quando CR7, Messi, Lewandowski e Neymar se retirarem será o número um por muito tempo. Aceitando que o jovem futebolista vem dando cartas há muito tempo, parece-me exagerado coloca-lo já no mesmo patamar de Ronaldo. Até porque um tem 36 anos e o outro 22 e a Mbappé falta-lhe “comer muito pão”. Mas em Itália é assim. Esquecem-se muito facilmente dos jogos que o português já resolveu sozinho. Como aquele frente ao Atlético Madrid em que marcou os três golos num célebre… 3-0. E porque ainda há muito jogo esta temporada vamos ver o que acontecerá. Até na Champions

MOURINHO E BRUNO FERNANDES EM GRANDE

A noite europeia de ontem foi pródiga em outras boas notícias em português. Por exemplo as vitórias de Olympiakos, de Pedro Martins (4-2 aos holandeses do PSV, em casa), e do Shakhtar, de Luís Castro (2-0 ao Maccabi Telavive, em Israel), mas também o triunfo, na Hungria, do Tottenham de José Mourinho e mais dois golos de Bruno Fernandes, pelo Man. United, em San Sebastian.

O Tottenham, recentemente eliminado da Taça de Inglaterra, pelo Everton, e aniquilado pelo Man. City, na Premier League, venceu em Budapeste os austríacos do Wolfsberger (4-1, com um golo de Vinícius, que está emprestado pelo Benfica) e deu um safanão na minicrise que se vivia e que para muitos podia ser fatal para o treinador português. Afinal, aparentemente, continua tudo como dantes, com o responsável de pedra e cal na liderança dos “spurs”. Já Bruno Fernandes, figura maior da equipa de Solskjaer, contribuiu com dois golos, na goleada por 4-0, na deslocação ao terreno dos bascos da Real Sociedad. Foi o 21.º golo do médio luso esta temporada (os primeiros na Liga Europa), confirmando-se quanto foi acertada a sua contratação pelos “red devils”.

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