Desporto

Estoril Praia festeja regresso à I Liga três anos depois do adeus

André Vidigal (à direita), durante o jogo da Segunda Liga de Futebol, disputado no estádio municipal 25 de Abril, em Penafiel, 02 de maio 2021.

ESTELA SILVA

Os "canarinhos" ficam com promoção assegurada, depois da derrota da Académica contra o Arouca.

O Estoril Praia está de regresso à I Liga de futebol, três anos depois da última presença, na sequência do desaire (0-1) desta segunda-feira da Académica com o Arouca, que deixou os "canarinhos" com a promoção assegurada.

Com três jornadas ainda por disputar, o "clube da Linha" está também muito perto de selar a conquista do seu terceiro título de campeão do segundo escalão, depois dos êxitos nas temporadas 2003/04 e 2011/12, ao somar 66 pontos em 31 jogos, mas conta ainda nesta corrida com a concorrência do Vizela, que regista 59.

Porém, uma das primeiras duas posições está já assegurada pelo Estoril para a sua 27.ª presença entre a elite nacional, uma vez que o Arouca - que ascendeu ao terceiro lugar, de acesso ao play-off de subida com o 16.º classificado da I Liga - contabiliza apenas 56 pontos, o que impossibilita anular o fosso' de 10 pontos para a liderança "estorilista".

O feito desta segunda-feira, celebrado no sofá, é o corolário de uma época vivida quase sempre no topo da classificação, que assumiu de forma isolada, pela primeira vez, à sétima jornada. Foi o primeiro sinal efetivo de que a aposta de risco num plantel praticamente novo, com cerca de duas dezenas de reforços, e um treinador quase desconhecido, Bruno Pinheiro, iria dar bons resultados.

Depois do adeus à I Liga na época 2017/18, então sob o leme do técnico Ivo Vieira (agora no Famalicão), muito mudou no Estoril Praia. Desse plantel, não sobra um único futebolista e treinadores em apenas três anos de II Liga foram quatro: Luís Freire, Bruno Baltazar, Tiago Fernandes e Pedro Duarte, até chegar Bruno Pinheiro em 2020/21.

Aos 43 anos, o técnico abraçou no verão de 2020 - em plena pandemia de covid-19 e com um calendário ainda incerto - o seu primeiro desafio à frente de uma equipa profissional. Para trás ficaram as passagens pelas seleções jovens do Qatar, pela equipa principal do Elétrico de Ponte de Sor e pelas camadas jovens do Belenenses.

Não tardou a vencer a desconfiança, impondo uma identidade vincada no Estoril, assente numa excelente organização defensiva, na qualidade das transições ofensivas e, sobretudo, numa grande maturidade e inteligência na leitura dos diferentes momentos do jogo.

Foi assim que se formou a equipa que, além da liderança, detém também os registos de melhor ataque (51 golos marcados, a par do Vizela) e melhor defesa (22 golos sofridos) da II Liga.

Num plantel recheado de soluções, Daniel Figueira afirmou-se definitivamente na baliza, e a defesa fez da coesão a sua maior arma, numa mistura de estilos muito eficaz, graças à sobriedade e rigor de Hugo Basto e à técnica e visão de jogo de Hugo Gomes, complementados quase sempre pela experiência dos laterais João Diogo (alternando com o espanhol Soría) e Joãozinho, o capitão de equipa.

No meio-campo sobressaíram quase sempre João Gamboa, no trabalho mais defensivo, e Crespo, como verdadeiro pêndulo da equipa, numa zona onde também Zé Valente mostrou capacidades na condução e organização de jogo e Vidigal se evidenciou pelo repentismo e capacidade de drible, além de desempenhos de qualidade dos 'atores secundários' Bruno Lourenço e André Franco.

Já o ataque, esteve quase sempre a cargo de Yakubu Aziz - o segundo melhor marcador da competição, com 12 golos, que teve na velocidade e na astúcia no ataque à profundidade os seus maiores trunfos -- e de Harramiz, mais tecnicista e eficiente na ocupação dos espaços.

Na revisão do trajeto na prova, e depois de alcançar a liderança ao fim de sete jornadas, o Estoril sofreu um percalço em fevereiro, ao permitir a ultrapassagem da Académica, na ronda 19, num mês que ficou marcado pela sobrecarga física da equipa, devido à acumulação com os jogos da Taça de Portugal, onde chegou até às meias-finais.

Seria, contudo, uma 'nuvem passageira' no caminho do Estoril, que reassumiu o primeiro lugar duas jornadas depois. A confirmação da retoma tornou-se evidente com o triunfo (1-0) sobre o rival Feirense, na 23.ª jornada, em Santa Maria da Feira, que permitiu abrir a vantagem pontual sobre o então maior perseguidor e que desde essa data não parou de crescer, até se tornar agora definitiva para a ansiada promoção à I Liga.