Desporto

"Pensamos ainda este ano lançar a primeira pedra" da nova sede da Liga no Porto, diz Pedro Proença

JOSÉ COELHO

Edifício, que terá sete pisos, representa um investimento privado de 18 milhões de euros.

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) revelou esta segunda-feira que ainda este ano deve ser lançada a primeira pedra do projeto da nova sede da Liga no Porto, cujas obras devem estar concluídas em 2023.

"Estamos dentro do cronograma. As coisas tem corrido muitíssimo bem e, portanto, nós pensamos ainda este ano lançar a primeira pedra. A verdade que a questão da pandemia não ajudou muito em alguns processos, mas estamos dentro do programa que inicialmente apresentamos à Câmara Municipal do Porto e, portanto, espero nos próximos dois anos estar a convidar os senhores vereadores para a inauguração da sede", disse Pedro Proença na reunião do executivo desta manhã, questionado pela socialista Odete Patrício.

Terreno e edifício da nova sede

Em outubro de 2020, a Câmara do Porto aprovou, com abstenção da CDU e da vereadora socialista Odete Patrício, a proposta de cedência à LPFP de um terreno para uma nova sede, a instalar na Rua de John Whitehead, em Ramalde.

À data, Pedro Proença descreveu o projeto da autoria do gabinete de arquitetura Ooda, responsável obra do Matadouro Industrial de Campanhã, como "icónico", tendo até comparado o imóvel ao "edifício emblemático" da Casa da Música.

O edifício, que terá sete pisos, representa um investimento privado de 18 milhões de euros.

A cedência do terreno para a nova sede da Liga foi contestada, na altura, por vereadores da oposição que questionaram as contrapartidas de 642 mil euros que autarquia pretendia assumir para que a sede daquela entidade se mantivesse na cidade, levando Rui Moreira, presidente camarário, a dizer-se envergonhado com a discussão.

"Thinking Football Summit"

A contestação às contrapartidas no projeto da sede da Liga, não impediu que todos os vereadores da oposição aprovassem, por unanimidade, a cedência do Pavilhão Rosa Mota, por seis dias, à LPFP, para a realização "Thinking Football Summit", cuja concretização em 2022, 2023 e 2024 será apoiada nos mesmos moldes.

Na reunião do executivo desta manhã, Pedro Proença apresentou o projeto "Thinking Football Summit", que decorre entre 2 e 5 de setembro, e que "vai trazer aquilo que de melhor há na indústria do futebol".

Salientando o peso económico do futebol no Produto Interno Bruto (PIB), o presidente da Liga Portugal explicou que desafiou a Câmara do Porto para ser parceiro num "projeto absolutamente icónico" e que vai transformar o Porto "na centralidade" do futebol durante quatro dias.

A iniciativa que pretende promover a discussão das principais temáticas do futebol profissional, agregando num só evento, jornadas, cimeiras de presidentes, conferências e debates, incluirá mais de 100 atividades diferentes, 40 conferências, 96 oradores, sendo esperados 1000 profissionais do setor e 150 empresas.

São ainda esperados cerca de 5.600 visitantes/dia, num total de 22.400, provenientes de 50 países, e um total de 5.000 dormidas na cidade, traduzindo-se num impacto económico previsto de 4.5 milhões de euros.

De acordo com Pedro Proença, o evento vai ser totalmente financiado com recurso a capitais próprios, devendo, a Liga, nos dos primeiros anos da feira do futebol perder dinheiro.

Apenas no terceiro ano se prevê atingir o "break even", o ponto de equilíbrio entre despesas e receitas, revelou.

O objetivo é a implementação da marca, explicou, acrescentando que houve cinco municípios que se mostraram interessados em acolher o evento dado impacto económico esperado.

Pelo PS, Manuel Pizarro disse que o projeto tem o total apoio dos socialistas, sobretudo porque vai encorajar a recuperação económica.

Também o social-democrata Álvaro Almeida se mostrou satisfeito com a iniciativa, tendo salientado que, se dependesse das entidades publicas, o mesmo seria realizado em Lisboa e não no Porto.

Já a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, disse esperar que quem queira participar não fique dependente de condições económicas.