Desporto

Tóquio2020. Trio português em Sófia em busca do passaporte no taekwondo

Júlio Ferreira, atleta de taekwondo do Sporting de Braga

SC Braga

Júlio Ferreira garante estar no seu melhor e defende: "Mesmo que haja problemas físicos, o mental está bem".

Rui Bragança quer fazer história e repetir a presença nos Jogos Olímpicos, em Tóquio2020, enquanto Júlio Ferreira e Joana Cunha procuram estrear-se, um sonho reservado aos finalistas do apuramento do taekwondo, na sexta-feira e no sábado, em Sófia.

"Seria um prémio muito bom para todo o trabalho que tenho vindo a fazer e um ótimo degrau para o taekwondo português conseguir meter um atleta duas vezes nos Jogos, o que nunca foi feito", disse à agência Lusa Rui Bragança.

O atleta luso vai competir na sexta-feira na categoria de -58 kg, no mesmo dia em que Júlio Ferreira tentará a sorte em -80 kg. Joana Cunha vai para o tapete no sábado, em -57 kg.

A medalha de bronze europeia conquistada há um mês, também em Sófia, revela-se agora insuficiente para Bragança, uma vez que só os dois finalistas conseguirão bilhete para o Japão, nas derradeiras vagas continentais, depois dos lusos terem falhado a muito restrita qualificação por ranking olímpico.

"Mantivemos o que tinha corrido bem no Europeu e melhorámos o que nos fez perder o combate na meia-final. Já resolvemos, tal como as falhas nos outros combates, que ganhei", acrescenta Rui Bragança.

Aos 29 anos, o médico vimaranense reconhece que os adversários mais novos até podem ganhar-lhe em "flexibilidade", contudo recorda que uma das suas "armas é a experiência, que está sempre em jogo", num torneio em que precisa encontrar soluções para "ultrapassar todos os adversários".

"O facto de já lá ter estado, a experiência de ter passado por isso, faz com que sinta menos nervosismo do que os que nunca lá estiveram e querem chegar pela primeira vez", acrescentou.

O atleta do Benfica entende que, em tempo de pandemia da covid-19, seria muito bom repetir a presença olímpica, não apenas pelo taekwondo luso, mas também pelo desporto português, pois considera que "o panorama nacional não é muito bonito".

"Ir a Tóquio seria uma boa adição ao ciclo que fiz", completou o campeão da Europa em 2014 e 2016.

Júlio Ferreira garante estar no seu melhor, à semelhança de todos os seus rivais, pois, defende, "mesmo que haja problemas físicos, o mental está bem".

"Fisicamente, estou muito forte, psicologicamente calmo, não muito nervoso ou com grande pressão. Claro que é uma prova decisiva e a concentração que temos de ter gera ansiedade, mas está tudo pronto para que sexta-feira as coisas corram bem", vincou.

Neste período de um mês desde o Europeu, no qual foi quinto classificado, dedicou-se a estudar mais profundamente os potenciais adversários, para perceber como melhor poderá lidar com eles, isto sem alterar o seu estilo de jogo.

A "mobilidade, resistência, adaptabilidade e criatividade" são os seus "pontos fortes" no tapete, considerando que faz "parte do grupo dos que podem ganhar a competição", ao contrário de quando tentou ir ao Rio2016.

"Nestes anos competi com o topo do topo da categoria olímpica e a desafiá-los. Tenho grande conhecimento da categoria, o que me deixa mais confiante e com estilo de jogo mais adaptado, qualquer que seja o adversário que me apareça", acrescentou.

Por seu lado, Joana Cunha está em Sófia com "espírito positivo, a acreditar até ao último momento que é possível", mesmo depois do nono lugar nos europeus.

"O resultado não mexe de todo com a minha ambição, muito pelo contrário. Penso que 'o resultado' está mesmo guardado para esta prova, ou vai ou racha para o apuramento", confia.

Neste período a gaiense preferiu aperfeiçoar as suas qualidades, para se sentir "forte e rápida", assumindo-se como uma competidora feita de "muito trabalho, ambição, responsabilidade e luta".

O sonho Rio2016 ficou pelo caminho, mas agora, volvidos cinco anos, acredita que a sua maior "experiência" poderá ser decisiva, uma vez que se sente "outra Joana".

Joaquim Peixoto e Pedro Campaniço são os treinadores que acompanham o trio luso nesta derradeira hipótese de qualificação.