Desporto

Volta a Itália 2021. João Almeida fica em 4.º na abertura do Giro e Ganna conquista camisola rosa

Jennifer Lorenzini

O italiano Filippo Ganna (INEOS) repetiu este sábado o que tinha feito em 2020, ao vencer o contrarrelógio inaugural da Volta a Itália em bicicleta, enquanto que João Almeida (Deceuninck-QuickStep) foi o melhor entre os candidatos à vitória final.

O campeão do mundo da especialidade, que já tinha começado o Giro de 2020 desta forma, cumpriu a distância de 8,6 quilómetros, em Turim, em 8.47 minutos, à frente de dois ciclistas da Jumbo-Visma, o italiano Edoardo Affini, segundo, a 10 segundos, e o norueguês Tobias Foss, terceiro, a 13.

Almeida, quarto em 2020, num ano em que liderou durante 15 dias seguidos, registou o quarto melhor tempo e está agora a 17 segundos do primeiro camisola rosa, e o primeiro entre os candidatos à geral final.

Apesar de indicadores menos bons em 2021, Ganna voltou a mostrar porque é que é o campeão do mundo do “crono”, pulverizando o tempo dos rivais e cortando a meta com uma média muito próxima dos 59 km/h.

O italiano “voou” para voltar a vestir a maglia rosa após o primeiro dia, e quererá pelo menos aproximar-se do que fez em outubro passado: venceu os três contrarrelógios (este ano há apenas dois) e ainda numa etapa de fundo, após uma fuga.

"Depois da Volta à Romandia [em que foi terceiro no “crono”], não vinha com o moral muito elevado, mas agora voltou, estou muito feliz. (...) Se puxavam por mim, é porque ia rápido. Foi assim que consegui a vitória", declarou o vencedor, de 24 anos.

Ganna voltou a dar uma alegria aos italianos logo à partida, e à beira do percurso eram muitos os fãs do contrarrelogista, vários com cartazes que o declaravam como “Top Ganna”, em alusão ao filme protagonizado por Tom Cruise, “Top Gun - Ases Indomáveis”.

Na luta específica entre os favoritos, foi o português a brilhar, com um tempo que quase deu para pódio, não fosse Tobias Foss, um outsider da Jumbo-Visma, que traz o neozelandês George Bennett como líder, vendo-o terminar em 52.º, já a 41 segundos.

Almeida aproveitou um dos seus pontos fortes para colocar já distância para alguns dos favoritos, posicionando-se como candidato a assumir a maglia rosa assim que a montanha começar a aparecer.

Neste capítulo, os mais prejudicados foram o francês Romain Bardet (DSM), 91.º, o espanhol Mikel Landa (Bahrain Victorious), 77.º, ou o também espanhol Marc Soler (Movistar), 56.º, que perderam já preciosos segundos para os rivais, entre outros ciclistas que se posicionaram entre 40 segundos e um minuto de distância para o vencedor.

O colombiano Egan Bernal (INEOS), um dos principais favoritos, foi 40.º a 39 segundos, com o britânico Simon Yates (BikeExchange) a fazer um pouco melhor, em 37.º a 38.

Por outro lado, em bom plano esteve o belga Remco Evenepoel, colega de João Almeida, a regressar à competição pela primeira vez desde um acidente na Volta à Lombardia de 2020.

O “prodígio”, apontado como um dos grandes nomes do ciclismo mundial no presente e futuro, foi sétimo, ficando aquém do tempo de dois colegas de equipa: o português e o francês Rémi Cavagna, um dos favoritos à vitória.

Outro bom resultado foi o do russo Alexander Vlasov (Astana), 11.º, além do italiano Domenico Pozzovivo (Qhubeka ASSOS), com o 21.º melhor registo, cedendo 31 segundos para o vencedor.

Nelson Oliveira (Movistar), que quando cortou a meta tinha o segundo tempo provisório na sua especialidade, foi 16.º, a 29 segundos do vencedor, e Ruben Guerreiro (Education First-Nippo) foi 74.º, a 47.

No domingo, a segunda etapa liga Stupinigi a Novara, ao longo de 179 quilómetros, com um traçado plano que, em teoria, favorece uma chegada em pelotão compacto, propícia ao sprint.