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Ministério Público suíço recorre da absolvição de Platini e Blatter

Após seis anos de investigação e um julgamento de duas semanas, foram absolvidos a 8 de julho.

O Ministério Público (MP) suíço informou esta quinta-feira que recorreu da absolvição, este verão, do ex-líder da UEFA Michel Platini e do ex-presidente da FIFA Sepp Blatter num caso de suposta fraude.

O MP apresentou o recurso no Tribunal Penal Federal e "solicitou a anulação total da sentença da primeira instância", pode ler-se no comunicado.

Após seis anos de investigação e um julgamento de duas semanas, o ícone do futebol francês, de 67 anos, e Sepp Blatter, de 86, foram absolvidos a 8 de julho.

Ambos incorriam numa pena de cinco anos de prisão e o MP tinha pedido uma pena suspensa de um ano e oito meses.

Uma “fatura falsa”

Os dois dirigentes do futebol responderam em tribunal por "obterem ilegalmente, em detrimento da FIFA, um pagamento de dois milhões de francos suíços [1,8 milhões de euros] a favor de Michel Platini", segundo o MP.

A defesa e a acusação concordaram num ponto: Platini aconselhara Sepp Blatter entre 1998 e 2002, durante o primeiro mandato deste último à frente da FIFA, e os dois homens firmaram um acordo em 1999, que previa uma remuneração anual de 300 mil francos suíços (305 mil euros), paga na totalidade pela FIFA.

Contudo, em janeiro de 2011, o francês - que entretanto se tornara presidente da UEFA (2007-2015) - "reclamou uma dívida de dois milhões de francos suíços", descrita como uma "fatura falsa" pelo MP.

Uma “acordo de cavalheiros”

Os dois homens insistiram que tinham acordado desde o início um salário anual de um milhão de francos suíços (900 mil euros), num "acordo de cavalheiros" oral, sem testemunhas.

O francês "valia o milhão", assegurou Blatter aos magistrados, enquanto Platini, por sua vez, descreveu a negociação como sendo tão informal que não especificou a moeda: "Como piada, eu disse 'pesetas, liras, rublos, marcos, é convosco'", explicou em tribunal.

O tribunal considerou que a prova de fraude não tinha sido "estabelecida com uma plausibilidade que garantisse a certeza", aplicando assim o princípio geral do direito penal, segundo o qual "a dúvida deve beneficiar o arguido".

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