Economia

Cavaco Silva optimista com capacidade de reforma política para sair da crise

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considerou, hoje, que a atual crise provocará "inevitavelmente" um novo "ímpeto reformista na Europa" e alertou para a necessidade da adoção de uma nova geração de política públicas.

"Esta crise provocará, inevitavelmente, um novo ímpeto reformista na Europa, destinado a estimular a produtividade, a inovação e a competitividade", afirmou Cavaco Silva, numa intervenção na sessão de abertura do Fórum Cotec para a Globalização, que decorre no Estoril.



Defendendo a participação de Portugal neste movimento, o chefe de Estado notou que a importância do país fazer uma utilização eficiente dos recursos, "em particular do fator trabalho".



Numa intervenção totalmente centrada no domínio da economia, Cavaco Silva avançou ainda com a ideia que os "limites de intervenção da política orçamental obrigam à adoção de uma nova geração de políticas públicas, menos centradas na despesa pública e mais viradas para a promoção da produtividade e da competitividade externa".



"Neste contexto, julgo que é especialmente importante perceber que não compensa, nem sequer numa perspetiva de curto prazo, continuar a procurar no Estado a segurança que as empresas porventura não encontram nos seus mercados"
, frisou.



Falando perante o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, o Presidente da República fez ainda referência à situação na União Europeia, defendendo uma maior coordenação das políticas económicas a nível europeu, mas ao mesmo tempo, alertando para a necessidade de se evitar "interferências diretas" no desenho especifico das políticas orçamentais de cada país.



"O equilíbrio que importa alcançar passa por uma maior e mais eficiente coordenação das políticas económicas a nível europeu", afirmou o chefe de Estado, recordando o início da crise financeira global e a resposta dada pelos países membros da União Europeia, que coletivamente decidiram reforçar a sua ação no domínio orçamental.



UE deve pensar de novo no médio prazo



Nessa fase, continuou, também o Pacto de Estabilidade e Segurança foi colocado num "segundo plano", mas agora é altura de lembrar a lógica que esteve subjacente à sua criação, ou seja, "garantir a solidez das finanças públicas e assegurar a credibilidade da União Monetária Europeia e das políticas dos seus estados membros".



"A atual crise demonstra a importância da credibilidade. Um atributo que demora anos a estabelecer, mas que basta uma rápida sucessão de erros para ser posta em causa",
notou, considerando que é neste contexto que deve ser interpretada a necessidade de políticas de estabilização financeira, que não esgotam, contudo, o papel da política económica.



"As políticas de médio prazo, viradas para a competitividade e para o potencial de crescimento económico, devem ocupar um espaço central nas preocupações da Europa", acrescentou.



Desta forma, importa alcançar uma coordenação das políticas económicas a nível europeu, mas evitando "interferências diretas no desenho dos aspetos específicos das políticas orçamentais de cada país, que possam pôr em causa a sua soberania", defendeu.



Lusa

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)