Economia

Remodelação do Governo sem mais impactos no programa assistência a Portugal, garante FMI 

O Fundo Monetário Internacional afirmou  hoje que a remodelação do Governo não terá mais impactos sobre os prazos  da nova revisão do programa de ajustamento, escusando-se a comentar as escolhas  específicas para o executivo. 

JOAO RELVAS

Questionado pela Lusa sobre a solidez da solução governamental encontrada  e potenciais atrasos na oitava avaliação do programa de assistência a Portugal,  decorrentes da remodelação desta semana, o porta-voz Wiliam Murray disse  que tal "não é necessariamente pertinente" no processo, frisando que o FMI  tem "uma relação ativa e contínua com o governo português". 

"Não temos nenhum comentário especial sobre questões de pessoal a não  ser reiterar que estamos desejosos de continuar a trabalhar com as autoridades  para apoiar os esforços de Portugal para criar as condições para um crescimento  sustentável, uma recuperação sustentada e a criação de emprego", sublinhou  na conferência de imprensa. 

O Governo pediu a 11 de julho à 'troika' um adiamento da 8. avaliação  do programa, que deve ocorrer, juntamente com a 9. avaliação, no final  de agosto/início de setembro, para concluir o programa de ajustamento dentro  do prazo previsto. 

A revisão, que deveria ter começado a 15 de julho, já ia arrancar mais  tarde devido aos atrasos na conclusão da 7. avaliação que aconteceram,  decorrentes da demora no plano de corte na despesa do Estado e do 'chumbo'  do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para 2013.

O Presidente da República deu na quarta-feira posse aos novos ministros  do Governo de maioria PSD/CDS-PP, a sétima alteração à composição do executivo  liderado por Pedro Passos Coelho, que faz aumentar para 14 o número de ministros.

Esta alteração, com implicações orgânicas, acontece a meio do mandato  do XIX Governo, na sequência de uma crise política, e resulta de um entendimento  entre o primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, e o  presidente do CDS-PP, Paulo Portas. 

Pedro Passos Coelho propôs e Cavaco Silva aceitou terça-feira que Paulo  Portas assumisse o cargo de vice-primeiro-ministro, sendo substituído por  Rui Machete nas funções de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros,  que exercia desde a posse do executivo, em junho de 2011. 

Além disso, o chefe do executivo retirou Álvaro Santos Pereira de ministro  da Economia, substituindo-o pelo dirigente centrista António Pires de Lima,  e colocou o atual coordenador da direção nacional do PSD, Jorge Moreira  da Silva, à frente de uma nova pasta do Ambiente, Ordenamento do Território  e Energia.   

A anterior mudança do elenco governativo aconteceu a 02 de julho, quando  Maria Luís Albuquerque, até então secretária de Estado do Tesouro, tomou  posse como ministra de Estado e das Finanças, em substituição de Vítor Gaspar,  que se tinha demitido no dia anterior. Na mesma ocasião, foram empossados  cinco secretários de Estado, dois dos quais novos. 

 

Lusa