Economia

China já é "parceiro de peso" no investimento direto estrangeiro em Portugal

O investimento direto estrangeiro em Portugal continua dominado por países da União Europeia, como Espanha, França e Reino Unido, mas a China destaca-se já como um "parceiro de peso", segundo um estudo que será hoje divulgado.  

© Kim Kyung Hoon / Reuters

Elaborado pela AESE - Escola de Direção e Negócios, o trabalho -- a que a agência Lusa teve acesso - conclui que, "apesar do domínio do investimento dos países europeus, os recentes investimentos chineses em grandes empresas portuguesas como a EDP e a REN, acompanhados de um forte apoio por parte de entidades financeiras chinesas, a compra do negócio dos seguros da Caixa Geral de Depósitos pela Fosun e a instalação do Bank of China, do ICBC e da Huawei no país, demonstram que a China é cada vez mais um parceiro de peso na captação de investimento estrangeiro em Portugal".

O estudo, intitulado "Internacionalização e o Investimento Estrangeiro como 'drivers' do crescimento", revela ainda que a competitividade de Portugal "aumentou de forma expressiva", com a "perceção dos empresários e altos dirigentes" a este respeito a melhorar em 2013, "após vários anos com resultados exatamente opostos".

Ainda assim, os países da União Europeia, liderados por Espanha, França e Reino Unido, continuam a contribuir com a maior parte do investimento direto estrangeiro recebido por Portugal, sendo notório um retrocesso "substancial" da Alemanha enquanto investidor.

Do trabalho da AESE resulta ainda que "o volume e a natureza dos investimentos estrangeiros têm contribuído para melhorar o panorama nacional no plano de sofisticação e inovação, designadamente através do enriquecimento do conteúdo tecnológico e do nível de 'know-how' incorporado nos produtos, potenciando assim o aumento das exportações".

"A natureza do investimento direto estrangeiro tem igualmente tido impacto no aumento da produtividade nacional, em especial no que respeita à criação de mais empregos e com maior grau de qualificação", acrescenta.

Como "fator de preocupação" o estudo avança um "certo pessimismo persistente" nas microempresas, que sugere que "os problemas de financiamento das pequenas e médias empresas ainda estão a limitar o potencial deste setor".

Segundo o trabalho, no primeiro semestre deste ano foi o setor das atividades financeiras e de seguros que mais beneficiou com a entrada de capitais estrangeiros, destronando o setor do comércio por grosso e o retalho/reparação de veículos automóveis e motociclos, seguido pelas indústrias transformadoras.

Face a 2009, o Brasil foi destronado do "top 10" dos maiores investidores em Portugal por países como a China e Angola, sendo que, do lado angolano, esta tendência começou a notar-se já há uma década, durante a qual a qual o montante de investimento angolano cresceu 35 vezes, passando de 2,2 milhões de euros em 2001 para "valores na ordem das várias dezenas de milhões em euros" a partir de 2011.

Quanto ao investimento chinês, "Portugal surge, no contexto europeu, com uma posição privilegiada de parceiro de negócios mais antigo da China, algo que é muito apreciado neste país, em paralelo com o facto de ter gerido o território de Macau durante vários séculos, mantendo boas relações com o país asiático. Assim, os investidores chineses parecem ver o território nacional como uma espécie de 'porta de entrada', não tanto para o mercado europeu, mas sobretudo para os países de língua portuguesa (Brasil e PALOP), em detrimento de ser um destino final de investimento", refere a AESE.

Em relação à evolução da competitividade das empresas portuguesas o autor do estudo e professor de Politica de Empresa da AESE, Adrian Caldat, refere que, "durante o triénio 2011-2013, denominado 'era da troika', a competitividade de Portugal e das suas empresas aumentou de forma expressiva, após vários anos em foi observado precisamente a tendência oposta".

Na mesma linha, os empresários portugueses ouvidos no estudo revelam a perceção que a competitividade das empresas portuguesas no mercado interno melhorou, aumentando em 18 pontos percentuais (de 23% em 2011 para 43% em 2013), enquanto a perceção negativa decresceu de 51% em 2011 para 24% em 2013.

Já nos mercados internacionais a melhoria percebida na competitividade das empresas "é ainda mais significativa", com 68% dos empresários e executivos consultados a considerarem que as empresas portuguesas ganharam em competitividade durante 2012 e 2013, contra apenas 6% que calculam tê-la perdido e 26% que não veem diferenças significativas.

O estudo da AESE baseou-se num inquérito realizado a 336 dirigentes residentes em Portugal responsáveis por empresas de diversos setores com atuação internacional, nacional e global em percentagens de 54%, 37% e 9%, respetivamente, sendo 36% delas empresas de grande dimensão, 20% de dimensão média, 20% de pequena dimensão e 24% micro empresas