Economia

Greve nos CTT até ao final da semana

(Reuters/Arquivo)

Os trabalhadores dos Correios vão estar em greve quinta e sexta-feira por melhores condições e pela manutenção dos empregos, depois de ontem a empresa ter anunciado a redução de 800 postos de trabalho.

Fernando Ambrioso, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, filiado na CGTP, disse à agência Lusa que "a paralisação deverá ter uma forte adesão, tendo em conta a mobilização demonstrada pelos trabalhadores nos locais de trabalho".

O sindicalista prevê que a correspondência fique por distribuir nos dois dias da greve. "Mas a população vai notar sobretudo os efeitos na distribuição do correio azul, dado que o correio normal já está a ser distribuído com muito atraso", disse.

Fernando Ambrioso salientou que a redução de pessoal nos CTT tem levado à sobrecarga dos restantes trabalhadores e à degradação do serviço prestado "Por isso, um dos objetivos desta greve era pôr a população a discutir o que se pretende deste serviço e isso já foi conseguido", afirmou o sindicalista.

"Não há trabalhadores a mais, antes pelo contrário: há trabalhadores a menos"

A paralisação foi também convocada pelo Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços (SINDETELCO), filiado na UGT, e pelo SINQUADROS - Sindicato de Quadros das Comunicações.

Na prática, a greve de dois dias começa ainda hoje à noite dado que vários grupos de trabalhadores do centro de tratamento de correio de Cabo Ruivo, em Lisboa, iniciam o seu turno às 22:00 e às 23:00.

Os secretários gerais das duas centrais sindicais, CGTP e UGT, Arménio Carlos e Carlos Silva, respetivamente, vão estar junto dos trabalhadores de Cabo Ruivo no início da paralisação.

Na terça-feira os CTT divulgaram um plano de reestruturação que prevê a redução de cerca de 800 postos de trabalho nas operações da empresa ao longo de três anos, devido à queda do tráfego do correio. Os CTT empregam 6.700 pessoas.

Com Lusa

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    Opinião

    Os CTT anunciaram esta terça-feira a redução de cerca de 800 pessoas, o corte de salários, incluindo os da administração, e o encerramento de balcões. José Gomes Ferreira esteve no Jornal da Noite para analisar o caso e considerou que os CTT são uma empresa que "depois da privatização só quer lucros para o acionista". O diretor-adjunto de Informação da SIC disse ainda que deviam ser exigidas explicações sobre o caso.