Economia

Associação Mutualista quer ser remunerada "adequadamente" pelo Montepio

A Associação Mutualista Montepio Geral pediu esta segunda-feira aos novos órgãos sociais da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), com Carlos Tavares como presidente, que a remunerem "adequadamente" pelo investimento feito e de forma estável e sustentada.

Na Carta de Missão dos Órgãos Sociais da CEMG, esta segunda-feira divulgada depois de na sexta-feira ter sido eleita a nova administração do banco Montepio, com Carlos Tavares (ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários - CMVM) como presidente do Conselho de Administração (chairman) e presidente executivo, é referido que a "condução dos destinos da CEMG deverá ter sempre presentes os princípios da ética nos negócios, do primado do interesse dos clientes e da proteção das poupanças", "da lealdade para com clientes, investidores e autoridades de supervisão", assim como "da solidariedade e da responsabilidade social que a sua vocação e a sua origem centenária exigem".

A Associação Mutualista acrescenta ainda que isto deve ser feito "tendo presente que enquanto instituição de crédito terá de remunerar adequadamente o/s seu/s acionista/s com caráter estável e sustentado".

A Associação Mutualista Montepio Geral é de momento dona de 100% da CEMG, o banco mutualista, que é a principal empresa do Grupo Montepio.

O investimento da Mutualista no banco ascende a 2.376 milhões de euros, depois de em junho do ano passado esta ter feito, por indicação do Banco de Portugal, mais um aumento de capital de 250 milhões de euros.

As eventuais novas necessidades de capital do banco Montepio levaram a que nos últimos meses se falasse num investimento da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que poderia chegar a 200 milhões de euros em troca de 10% do capital.

Contudo, a entrada no capital deverá ficar bem abaixo.

Na semana passada, entrevista à RTP3, o presidente da Mutualista, Tomás Correia, disse que a CEMG não precisa da Santa Casa para se recapitalizar, referindo que o banco tem um rácio de capital de 13,5% e que está "a preparar uma emissão de 250 milhões de euros de dívida subordinada que vai pôr o rácio de capital acima de 15,5%".

Segundo o responsável, o que acontecerá é que um grupo de "muitas instituições da economia social, ficarão com "até 2% do capital da Caixa Económica Montepio Geral", em troca de um investimento entre 45 e 48 milhões de euros.

A Caixa Económica Montepio Geral voltou aos lucros em 2017, ao conseguir 30,1 milhões de euros positivos, que comparam com os prejuízos de 86,5 milhões de euros de 2016. Contudo, os lucros ainda não foram suficientes para poder distribuir dividendos, devido aos prejuízos acumulados do passado.

Lusa