Economia

Wall Street cai com estrondo após subida das taxas alfandegárias

A bolsa nova-iorquina encerrou esta quarta-feira a acelerar as perdas nos minutos finais, depois de uma sessão marcada pela aversão ao risco, após a divulgação de resultados de empresas, com os dedos apontados à subida das taxas alfandegárias.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 2,41%, para os 24.583,42 pontos.

O tecnológico Nasdaq caiu ainda mais, ao recuar 4,43%, para as 7.108,40 unidades, na que é a sua pior sessão desde 2011.

Também o alargado S&P500 teve um dia particularmente negativo, ao desvalorizar 3,09%, para os 2.656,10 pontos.

Tanto o Dow Jones como o S&P500 caíram para um nível inferior àquele com que começaram o ano.

À imagem de terça-feira e da queda dos títulos da Caterpillar e 3M, a sessão de esta quarta-feira foi marcada por uma queda quase generalizada das principais empresas que apresentaram os seus resultados trimestrais.

Assim, a Texas Instruments, perdeu 8,22%, a AT&T 8,06%, a UPS 5,52%, a Northrop Grumman 6,00%, a General Dynamics 7,73%, a Check Point Software 4,26% e a Restaurant Brands International (proprietária, entre outras, da marca Burger King) 1,37%.

Os resultados destas empresas "não foram verdadeiramente dececionantes, mas os investidores colocam a fasquia muito elevadas quando se trata de antecipações futuras", analisou Nate Thooft, da Manulife AM.

Ora, as antecipações das empresas têm sido "afetadas com frequência pela subida das tarifas alfandegárias, que reduz os lucros", acrescentou.

Membro relevante do mercado nova-iorquino, a Boeing, que apreciou 1,31%, conseguiu manter-se em terreno positivo depois da divulgação das suas previsões anuais e do anúncio do objetivo simbólico, inédito na sua história, de um volume de negócios anual de 100 mil milhões de dólares (88 mil milhões de euros).

Mas, apesar de o construtor aeronáutico, ter apoiado a progressão do Dow Jones, ao chegar a valorizar 4,16% durante a sessão, não impediu a queda final.

Neste movimento de desconfiança que se generalizou ao conjunto dos títulos, as empresas tecnológicas estiveram entre as principais perdedoras, casos do Facebook, que caiu 5,414%, da Netflix, que recuou 9,40%, e da Apple, que abandonou 3,43%.

"Os valores tecnológicos atingiram máximos recentemente, pelo que é lógico que sejam as primeiras afetadas, com recuos acentuados", relativizou Peter Cardillo, da Spartan Capital.

Lusa