Economia

Imobilização de cada navio custa cerca de 16 mil euros por dia

Cada navio que chega aos portos deve começar a ser trabalhado "assim que possível", afirma o gerente da Operestiva.

O gerente da Operestiva, empresa de trabalho portuário de Setúbal, disse hoje, no parlamento, que a imobilização de cada navio obriga a um custo de cerca de 18 mil dólares por dia (cerca de 16 mil euros).

"Os custos envolvidos [numa imobilização] são muito elevados. Os custos em média são 18 mil dólares por imobilização", disse Diogo Marecos, durante uma audiência parlamentar na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. De acordo com o gerente da empresa de trabalho portuário, cada navio que chega aos portos deve começar a ser trabalhado "assim que possível", o que não é exequível com a paralisação de trabalhadores.

"Se um navio chegar a uma sexta com uma paralisação [ao trabalho suplementar] só vai ser operado na segunda-feira", exemplificou. Diogo Marecos referiu ainda que esta situação leva a que os navios "deixem de escalar os portos [em causa] ou que suspendam a sua chegada" a estes.

"A verdade é que, na maior parte dos contratos coletivos, o sábado e o domingo são dias de descanso, [portanto] é sempre entendido como [trabalho] suplementar", notou.

O responsável da Operestiva indicou ainda que a realidade no Porto de Setúbal não é hoje a mesma que há dez ou 15 anos, tendo atravessado "um processo de grande evolução para o bem de todos".

O gerente da empresa de Setúbal sublinhou que houve alturas em que a bolsa de trabalhadores eventuais chegou a englobar 200 pessoas, situação que justificou com a necessidade de mão-de-obra para os picos de trabalho, que se verifica, igualmente, nos portos internacionais.

"Numa semana podemos ter necessidade de 80 trabalhadores, na semana seguinte podemos não precisar de ninguém e na outra só de três ou quatro", frisou.

Durante a sua intervenção inicial, Diogo Marecos disse ainda que as empresas de trabalho portuário tentaram, desde o início, negociar com os trabalhadores e com o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL), que colocou entraves à negociação.

"O sindicato não é fácil, mas merece o nosso respeito" enquanto único parceiro social, concluiu. Em 14 de dezembro, o SEAL e os operadores portuários assinaram um acordo, no Ministério do Mar, que prevê a passagem imediata a efetivos de 56 trabalhadores precários (mais 10 a 37 numa segunda fase, com a assinatura do contrato coletivo de trabalho até ao final de fevereiro) e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário no Porto de Setúbal.

O acordo colocou termo a um conflito com os estivadores precários de Setúbal que recusavam apresentar-se ao trabalho desde o dia 05 de novembro e garantiu também a prioridade na atribuição de trabalho aos atuais trabalhadores eventuais que não sejam integrados nos quadros dos operadores portuários, face a outros que ainda não estejam a laborar no Porto de Setúbal.

Lusa

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