Economia

Sindicato diz que adesão à greve na CP foi completa

Rafael Marchante

"Foi uma greve de um dia e meio que teve uma adesão completa por parte dos trabalhadores, associados e não associados".

O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) manifestou-se satisfeito com a adesão à greve dos trabalhadores da CP, que terminou à meia-noite de terça-feira e teve uma adesão completa dos funcionários, tendo-se apenas cumprido os serviços mínimos.

"Foi uma greve de um dia e meio que teve uma adesão completa por parte dos trabalhadores, associados e não associados. A maioria dos trabalhadores operacionais reviram-se nesta luta, que foi marcada contra aquilo que é a greve que o Governo está a fazer à resolução dos problemas da CP", disse á agência Lusa Luis Bravo, do SFRCI.

O sindicalista sublinhou que durante o período de greve - entre as 12:00 de segunda-feira e a meia-noite de terça-feira - apenas se fizeram os comboios previstos nos serviços mínimos, com todos os restantes suprimidos.

"O normal era nem termos chegado a este ponto, de ter de denunciar esta situação. O normal é as entidades horarem os compromissos que subscrevem, neste caso a Secretaria de "Estado das Infraestruturas", afirmou Luis Bravo, referindo-se tanto ao acordo com 15 meses que previa o recrutamento 88 trabalhadores para a área comercial como à contratação coletiva.

"O acordo mais antigo tem 15 meses e previa o recrutamento de 88 trabalhadores para a área comercial, mas as necessidades da empresa são mais do dobro, não só na área comercial mas nos maquinistas e manobradores. Mas há também a parte da negociação da contratação coletiva, com um acordo de empresa que data de 1999, que faz no início do próximo ano 20 anos", afirmou.

"No fundo temos os trabalhadores da CP a laborar com tabelas de há 20 anos", acrescentou Luis Bravo, lembrando que havia um compromisso de alterar a situação até 01 de outubro que não foi cumprido.

O responsável frisa que tanto a empresa como a tutela têm propostas para apresentar aos trabalhadores, mas "estão a ser impedidos de o fazer por parte do ministro das Finanças".

A greve dos trabalhadores da CP terminou à meia-noite de terça-feira, mas hoje de manhã ainda se notavam algumas perturbações, com apenas cerca de dois terços dos comboios previstos entre as 00:00 e as 08:00 a serem realizados.

Segundo dados da CP - Comboios de Portugal, circularam neste período 175 dos 256 comboios previstos e apenas o serviço dos Urbanos do Porto estava totalmente normalizado.

A paralisação foi convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) e pela Associação Sindical das Chefias Intermédias de Exploração Ferroviária (ASCEF).

As duas estruturas sindicais afirmam que o executivo e a CP estão em "incumprimento para com os trabalhadores" que representam na negociação da contratação coletiva desde 01 de outubro deste ano, referindo que "têm realizado várias iniciativas e apelos junto da empresa e do Governo para que o processo negocial fosse concretizado, não tendo até ao momento obtido qualquer respostas às propostas do Acordo de Empresa e regulamento de carreiras apresentadas".

Conforme anunciado na sexta-feira, os serviços mínimos da greve dos trabalhadores da CP incluíram a circulação de quase 190 comboios nos serviços urbanos de Lisboa, nos urbanos do Porto, na Linha de Cascais e na Linha de Setúbal.

Lusa

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