Economia

Bolsonaro veta aumento do preço do gasóleo e ações da Petrobras têm forte queda

Adriano Machado

Ações ordinárias da Petrobras caíram 7,54%.

As ações da petrolífera estatal brasileira Petrobras tiveram na sexta-feira uma forte queda na bolsa de valores de São Paulo, depois de o Presidente do país, Jair Bolsonaro, ter vetado o aumento dos preços do gasóleo nas refinarias.

Duas horas após o encerramento da sessão, as ações ordinárias da Petrobras, que dão direito de voto aos acionistas, caíram 7,54%, enquanto que as ações preferenciais, aquelas com maior valor e maior peso no mercado, caíram 6,71%, o que levou a bolsa à sua quarta queda consecutiva.

Na quinta-feira, a Petrobras anunciou um aumento de 5,74% do preço do gasóleo nas refinarias para sexta-feira, mas horas depois a empresa reverteu a decisão e anunciou que desistia desse aumento diante da pressão feita por Bolsonaro.

O chefe de Estado brasileiro admitiu ter conversado com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, com o intuito de se reverter a decisão de aumentar os preços do 'diesel'.

"Liguei para o presidente (da Petrobras), sim. Surpreendi-me com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista e fazer práticas que fizeram no passado, mas quero ver os números da Petrobras, tanto que na terça-feira convoquei todos da Petrobras para me esclarecerem os 5,7% de reajuste, quando a inflação deste ano está projetada para menos de 5%", afirmou Jair Bolsonaro, na inauguração de um aeroporto em Amapá.

Em maio do ano passado, o aumento do preço do gasóleo, das portagens e do aluguer de cargas praticamente paralisou o país devido à greve convocada pelos camionistas brasileiros, que colocou em causa o abastecimento de alimentos e de combustíveis no maior país da América do Sul.

O mercado interpretou a pressão do Governo de Bolsonaro como uma interferência na independência da Petrobras, empresa que em 2018 obteve um lucro líquido de 25.779 milhões de reais (cerca de 5.878 milhões de euros) face às perdas de 446 milhões de reais (cerca de 102 milhões de euros) de 2017.

Lusa

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