Economia

Centeno insiste num "verdadeiro orçamento para a zona euro"

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O presidente do Eurogrupo disse que "ainda há um caminho por fazer no espaço do euro".

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, afirmou esta quinta-feira que a Europa demonstra uma "notável resiliência e união", mas defendeu que "ainda há um caminho a fazer" como "um verdadeiro orçamento para a zona euro".

O também ministro das Finanças português falava esta tarde no ISCTE onde deu uma aula aberta sobre "o euro e o futuro da Europa" para assinalar o Dia da Europa.

Perante um auditório cheio, Mário Centeno elencou os benefícios do processo de integração europeia, como a livre circulação ou o mercado comum, apesar dos "percalços na construção europeia".

"Muitos esperavam que a UE se dividisse diante do processo do 'Brexit'. Muitos esperavam que a UE vacilasse perante os desafios da nova administração norte-americana à ordem internacional. Mas a Europa demonstra uma notável resiliência e união", sublinhou Centeno.

O presidente do Eurogrupo disse, porém, que "ainda há um caminho por fazer no espaço do euro", que passa por "continuar a lidar com a herança da crise, mantendo o curso de desalavancagem da economia".

Segundo defendeu, é preciso reduzir o crédito malparado nos bancos e diminuir a dívida pública, bem como "completar a União Bancária, criando um sistema europeu de garantia de depósitos o que reforçaria a credibilidade do sistema bancário, prevenindo corridas aos bancos".

Centeno disse ainda que é preciso "lançar um verdadeiro orçamento para a zona euro que possa responder a problemas próprios da pertença a uma zona monetária comum".

"De momento estamos a desenhar um instrumento que visa apoiar a convergência e a competitividade, duas dimensões em que várias economias sofreram desde a criação do euro", referiu o ministro.

"Este instrumento orçamental vai começar já em 2021", acrescentou o presidente do Eurogrupo.

Mário Centeno acrescentou que, a manter-se o caminho de "redução e riscos, justificar-se-á a criação de um ativo seguro na zona euro".

O presidente do Eurogrupo concluiu a sua intervenção apelando à participação nas eleições europeias, que se realizam em 26 de maio, considerando que "a ausência do voto é a ausência de democracia".

Lusa