Economia

Milionário desconhecido compra loja do El Corte Ingles

Sergio Perez

Homem tem uma fortuna que vale centenas de milhões de euros.

O grupo catalão AM Gestió, liderado por Pedro Alonso Agüera comprou o centro comercial do El Corte Ingés na praça Francesc Macia, em Barcelona, por 152 milhões de euros, um valor recorde nas transações imobiliárias realizadas pela cadeia espanhola até ao momento, noticia o jornal espanhol Cinco Dias.

A fortuna deste engenheiro e empresário quase desconhecido dos espanhóis é difícil de avaliar, mas soma várias centenas de milhões de euros. "À margem de outras propriedades, apenas a sociedade familiar AM Gestió tinha um património líquido de 345,9 milhões de euros no final de 2017, sem dívida bancária nem financeira", diz o jornal com base nos dados do "Registro Mercantil". Mas através desta sociedade, o grupo também controla empresas de investimento imobiliário e parques eólicos e fotovoltaicos em Espanha e no Chile, a par de investimentos numa empresa de capital de risco, na saúde e nas novas tecnologias, detendo participações ou posições maioritárias em empresas como a Fronton Casting Renovables, Parque Eolico La Flor Y Vientos de Renaico, no segmento da energia, Aurica, no capital de risco, e Mersán Invest, na promoção imobiliária.

A estrutura familiar do negócio reflete-se nos órgãos sociais da empresa, presidida por Pedro Alonso com o apoio da mulher Antonia Martin e os filhos Raúl e Javier, que tem ao seu lado como vogais. Mas a estratégia seguida sempre foi discreta, longe dos focos da comunicação social.

Nas origens do império da família Agüera está a venda da empresa catalã Infun, dedicada ao sector da automação automóvel, aos mexicanos do Grupo Industrial Saltillo, em 2016, por cerca de 220 milhões de euros. O negócio beneficiou de isenção fiscal, pelo que as contas da sociedade em 2016 registam um lucro de 249 milhões de euros e um pagamento de menos de um milhão de euros de impostos sobre a sociedade, conta o Cinco Dias. Quando à Infun, fundada em 1987, faturou 204,6 milhões de euros em 2017, registou um lucro líquido de 26,58 milhões de euros e prevê crescer 3% ao ano até 2021, acrescenta o jornal com base nas contas consolidadas do grupo.

Vender em Espanha, investir em Portugal

Depois da venda da sua empresa aos mexicanos, Pedro Afonso passou a incorporar o conselho de administração da empresa como conselheiro independente, o que merece uma breve nota de perfil no site deste grupo para o apresentar como fundador da Infun, Conselheiro e Membro da direção da Sociedade Espanhola de Fabricantes de Equipamentos e Componentes para a Automação, com formação em engenharia técnica industrial e um diploma em administração e direção de empresas da ESADE.

O edifício que o empresário agora junta ao património da família está registado no número 471 da Diagonal, a mais conhecida das avenidas de Barcelona, tem 40 mil metros quadrados de superfície, seis andares e caves. Os planos do novo proprietário passam por aproveitar a parte inferior do imóvel para criar uma zona comercial, transformando os pisos superiores em escritórios depois do El Corte Ingles abandonar o imóvel, em finais de 2020.

A venda deste edifício na emblemática avenida catalã insere-se no plano de reestruturação do El Corte Ingles para reduzir dívida e que já levou o grupo a alienar seis armazéns em Valencia, Madrid e Bilbao, num total de 342 milhões de euros, em 2018, e mais duas lojas na Andaluzia, por 36,8 milhões de euros. No entanto, as instalações do El Corte Ingles da Av. Diagonal não constavam da lista de 95 imóveis que o grupo colocou à venda em abril.

Apesar das alienações em Espanha, o El Corte Ingles tem planos de investir em Portugal, no Porto, onde deverá avançar com um projeto que tem em carteira já há 20 anos, garantiu hoje o vereador da Economia, Turismo e Comércio da Câmara do Porto Ricardo Valente .