Economia

Sindicatos e patrões contra aumentos salariais no privado fixados por ano e por setor

Sindicatos e patrões contra aumentos salariais no privado fixados por ano e por setor

Proposta do Governo voltou ontem a ser discutida na Concertação Social, mas voltou a ser contestada pelos sindicatos dos trabalhadores e pela CIP, a Confederação Empresarial de Portugal.

Num documento de trabalho entregue aos parceiros sociais sobre o acordo de médio prazo sobre salários, rendimentos e competitividade, o Governo defende que a valorização dos salários deve seguir uma "metodologia de fixação anual de referência para atualização dos salários, por setor, tendo em conta a evolução esperada e os ganhos de produtividade e inflação".

Na primeira reunião na Concertação Social sobre o acordo de médio prazo, em 27 de novembro, o Governo tinha apresentado como objetivo aumentos salariais no privado superiores à soma da inflação e da produtividade nos próximos quatro anos, apontando para 2,7% em 2020, 2,9% para 2021 e 2022 e 3,2% para 2023.

A maioria dos parceiros sociais manifestou-se de imediato contra o referencial de aumentos indicado pelo Governo, defendendo que esta é uma matéria da negociação coletiva.

No documento apresentado esta terça-feira , o Governo refere que as previsões atualmente disponíveis para 2020-2023 apontam para um aumento nominal da remuneração por trabalhador "na ordem dos 3,1% ao ano", enquanto as taxas de inflação deverão crescer na ordem dos 1,4% e "os índices de produtividade aparente do trabalho entre os 1,3% e os 1,6%".

Já a evolução nominal da massa salarial deverá ser de 3,7% ao ano, enquanto o crescimento nominal médio do PIB será de 3,5%.

"Em face destas previsões, num cenário hipotético em que o crescimento salarial no médio prazo assentasse apenas no mero acompanhamento da inflação e da produtividade, o aumento expectável da massa salarial traduzir-se-ia na manutenção do cenário atual de desequilíbrio na partilha dos rendimentos, isto é, sem alteração significativa do peso dos salários no PIB", defende o Governo.