Economia

Rui Rio prevê discordância com futura solução do Governo para a TAP

PAULO NOVAIS

Líder do PSD não exclui nenhum cenário para a companhia de aviação, até a insolvência.

O presidente do PSD afirmou que "dificilmente" irá concordar com a solução do Governo para a TAP, prevendo que passe por um empréstimo obrigacionista em que o Estado só "passa a mandar" se a empresa não pagar.

Em entrevista à TVI, Rui Rio não excluiu nenhum cenário para a companhia de aviação de bandeira, até a insolvência, defendendo que tem de ser feito um plano de negócios que avalie a viabilidade da TAP e que esta não vai ser "um buraco" para sorver dinheiro público.

"Aquilo que eu prevejo que vai acontecer dificilmente eu estarei de acordo: o que prevejo é que vai haver um empréstimo de cariz obrigacionista em que, se a TAP não pagar, o empréstimo transforma-se em ações e o Estado fica com 60, 70 ou 80%, aí o Estado só passa a mandar se a empresa estiver tão mal que nem aquilo paga", apontou.

Na opinião do líder do PSD, a solução deveria passar por um "aumento do capital social", em que, se os privados não conseguissem acompanhar o investimento do Estado, este passaria a ser maioritário.

"Se não acompanham a capitalização, então é o Estado que tem, naturalmente, de gerir a TAP", defendeu.

No entanto, Rio recusou que tal se trate de uma nacionalização, já que defende "à primeira oportunidade" o Estado deveria vender toda a sua participação na empresa a privados.

Questionado se exclui um cenário de insolvência na TAP, Rio admitiu essa possibilidade: "Se perante um plano de negócios for evidente que não se consegue salvar a TAP?".

"Só admitia valores dessa natureza, se o plano de negócios me desse esperança de efetivamente viabilizar a TAP e entrasse na proporção exata de molde a que ficasse com o capital social correspondente", disse.

Questionado sobre as principais diferenças entre o plano de estabilização do Governo e o programa de recuperação económica apresentado pelo PSD, Rio defendeu que são dificilmente comparáveis.

"O nosso plano tem uma estratégia implícita e bem explicada, o do Governo não tem essa estratégia, dá ideia de que compilou uma série de medidas", afirmou, considerando que no do executivo "não está desenhado o rumo".

Rio disse que algumas das medidas do programa do Governo são "até iguais" às do PSD, admitindo que possam ter sido retiradas do programa dos sociais-democratas.

"Apresentámos primeiro, mas se for assim está bem, porque o fizemos para isso", disse.

Rio voltou a apontar como medida nuclear do plano do PSD o apoio à fusão e aquisição de empresas, e disse que o Governo também tem medidas "com o mesmo objetivo".

"Mas não noto no programa do Governo um tronco comum", disse.

Questionado se confia que os prometidos milhões de verbas europeias vão ser bem distribuídos pelas empresas, o líder do PSD hesitou e não respondeu verbalmente, limitando-se a rir.

Sobre o Orçamento Suplementar, Rio reiterou que não vai fazer depender o voto do PSD da "aceitação desta ou daquela medida", mas da avaliação se responde às necessidades do país até final do ano face às consequências da pandemia de covid-19.

"Há linhas vermelhas, se não for um orçamento suplementar e vier com políticas económicas de fundo, com opções de investimento de fundo, já não é suplementar, é um orçamento novo, mas acho que não é isso que vai acontecer", referiu.

  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira