Economia

Energias renováveis podem ajudar a resolver crise económica?

Mike Hutchings

Agência Internacional para as Energias Renováveis lança relatório onde estima o impacto de um maior investimento no setor.

Investir na transição energética pode ser uma garantia de criação de novos empregos e de um crescimento sustentável da economia - o que pode conduzir a uma recuperação económica mais rápida num cenário pós-covid-19 -, assegura a Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA).

De acordo com os cálculos apresentados num relatório divulgado esta quarta-feira, a aposta em energias renováveis e na eficiência energética aumentaria o PIB global e geraria 5,5 milhões de empregos adicionais num período de três anos.

"As energias renováveis ​​mostraram, ao longo da crise atual, que são a fonte de energia mais resistente", sublinhou Francesco La Camera, diretor-geral da IRENA, num momento em que o colapso do preço do petróleo deixou algumas empresas multinacionais com problemas.

Numa entrevista à AFP, o responsável garantiu ainda que o mercado das energias renováveis é "cada vez mais competitivo" e que pode ser gerido "facilmente e remotamente".

De acordo com a agência, cerca de 4,5 biliões de euros de invesimento público e privado anual, uma meta a ser alcançada até ao final da década, faria a economia crescer 1,3 pontos adicionais entre 2020 e 2030. E, para além de ser um investimento que pode alavancar a economia mundial, é também uma forma de cumprir os objetivos contra o aquecimento global, lembra o relatório.

Jean-Paul Pelissier

Cada milhão de dólares investido em energia eólica, solar ou hídrica geraria três vezes mais empregos do que o equivalente no setor de combustíveis fósseis, de acordo com a IRENA.

"Tecnologias de armazenamento, veículos elétricos e estações de carregamento, redes inteligentes, eficiência energética no aquecimento e ar condicionado... Agora é a hora de investir num futuro melhor", apelou Francesco La Camera.

Uso de energias renóveis em Portugal durante a pandemia

Em março e abril, houve um aumento de 14,5% de fontes de energias renováveis na produção de eletricidade em Portugal, comparando com o mesmo período de 2019, passando de 62,6% para 77,1%, de acordo com dados da Redes Energéticas Nacionais (REN) divulgados pela Associação Zero em maio.

A associação ambientalista estima que as emissões médias diárias de CO2 associadas à produção de eletricidade tenham descido das 28 mil toneladas/dia de março e abril do ano passado para 12 mil toneladas/dia nos meses de março e abril deste ano.

PORTUGAL NÃO PRODUZIU ELETRICIDADE A PARTIR DE CARVÃO PELA 1.ª VEZ EM 35 ANOS

A produção das centrais a carvão de Sines e do Pego foi nula no mês de abril, o que aconteceu pela primeira vez desde a sua existência, em 1985, segundo a REN.

"A produção de carvão, que já era muito reduzida, foi mesmo nula em abril, o que acontece pela primeira vez desde a existência das atuais centrais a carvão de Sines e Pego (desde 1985)", explicou a gestora da rede elétrica nacional.