Economia

Cortiça portuguesa foi usada na construção de foguetões da Space X

Rafael Marchante

Empresa também já trabalhou com a NASA.

A Corticeira Amorim forneceu a Space X, de Elon Musk, para componentes usados nos foguetões espaciais da empresa, adiantou esta segunda-feira o presidente da empresa, António Rios Amorim.

"É o nosso maior cliente [deste segmento] neste momento desde que a NASA parou" de lançar os próprios vaivéns, disse o gestor, durante um debate sobre "40 anos de Ciência e Conhecimento: capacitar as empresas para os novos desafios", organizado pelo INESC, no Porto.

Negócio rendeu milhões

Este segmento de negócio, que faz parte do esforço da corticeira em diversificar atividade, terá rendido entre três e quatro milhões de dólares e é "a aplicação a seguir a rolha que mais traz valor acrescentado", segundo Rios Amorim.

A empresa, que trabalhava antes com a NASA para fornecer componentes de foguetões que são obrigatoriamente de cortiça, produz as peças nos EUA, por ser mais fácil de certificar, mas a cortiça é portuguesa.

A evolução das empresas e da ciência

No mesmo debate, sobre inovação e ligação entre empresas e instituições de conhecimento, o presidente do Conselho de Administração da Sonae, Paulo Azevedo, defendeu que a evolução das empresas e da ciência tem acontecido "em paralelo", referindo que discorda da "narrativa" de que as duas dimensões nem sempre se ajudam.

"Discordo da análise e narrativa de que não havia ciência em Portugal e agora é espetacular e as empresas não conseguem usar a ciência. É a narrativa errada", referiu.

"O progresso na ciência foi fabuloso, mas nas empresas também foi muito grande", adiantou.

Para o presidente da Sonae é ainda importante dar mais formação a trabalhadores que só têm capacidades usadas em negócios de pouco valor acrescentado.

"Acho que as coisas estão a evoluir nos nossos setores tradicionais, mas temos o que temos. Temos uma faixa muito grande de pessoas com qualificações que não vão além do ensino básico", destacou, adiantando que existem muitas formações que podem ajudar estes trabalhadores a reformular as suas competências.

Por sua vez, Isabel Furtado, presidente da TMG Automotive, realçou que é "difícil trazer doutorados para meio industrial".

"Habituam-se a meio académico que é muito diferente da indústria", afirmou.

A gestora apontou o problema da "falta de comunicação" e pediu uma maior "'network' [ligação em rede] entre as empresas e academia".