Economia

Parlamento aprova relatório da audição de Centeno para governador do BdP

MÁRIO CRUZ

Deputados não concordam com a escolha de Centeno para ocupar aquelas funções depois de ter sido ministro das Finanças.

O relatório da audição de Mário Centeno no âmbito da proposta de designação para governador do Banco de Portugal foi aprovado esta quarta-feira pelos deputados com voto favorável do PS e a abstenção do PSD e do PCP.

O relatório, votado hoje na Comissão de Economia e Finanças, teve os votos contra do CDS-PP, Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal, PAN e do deputado do PSD Álvaro Almeida.

Durante o debate que antecedeu esta votação, deputados de vários partidos precisaram que o seu voto contra não visa o conteúdo do relatório, mas o facto de não concordarem com a escolha de Mário Centeno para ocupar aquelas funções depois de ter sido ministro das Finanças.

Escolha controversa: uma curta cronologia

A escolha de Centeno para o cargo foi polémica, pelo facto de este responsável passar quase diretamente do Ministério das Finanças (onde foi ministro até junho) para o Banco de Portugal e, em 9 de junho, ter sido mesmo aprovado no Parlamento, na generalidade, um projeto do PAN que estabelecia um período de nojo de cinco anos entre o exercício de funções governativas na área das Finanças e o desempenho do cargo de governador.

Contudo, em 17 de junho a esquerda parlamentar (PCP e BE, sendo já sabido que PS era contra) demarcou-se da intenção do PAN de estabelecer esse período de nojo e, em 25 de junho, o Parlamento suspendeu por quatro semanas a apreciação na especialidade do projeto do PAN até chegar o parecer pedido ao Banco Central Europeu (BCE).

No mesmo dia, o primeiro-ministro, António costa, escreveu ao presidente da Assembleia da República a comunicar a proposta do Governo para nomear o ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal.

Centeno “tem todos os créditos para ser excelente governador do Banco de Portugal”

Ao contrário do primeiro-ministro, o Presidente da República escusou-se de comentar a nomeação do ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal, alegando que o soube através da comunicação social.

"Não comento. Vi-a [a informação] nas notícias, portanto não vou comentar. Agradeço muito à comunicação social o ter transmitido, mas não vou comentar (...) aquilo que soube através da comunicação social", limitou-se a afirmar o chefe de Estado quando confrontado com a proposta do Governo, liderado pelo socialista António Costa.

Todos os partidos, à exceção do PS, contra nomeação de Centeno para o Banco de Portugal

A todos os reparos de eventual conflito de interesses, o ex-ministro das Finanças respondeu com a promessa de idoneidade e referindo que a independência vem com as qualificações para o cargo.

Chega ao fim o segundo mandato de Carlos Costa

Carlos Costa terminou a 8 de julho formalmente o segundo mandato como governador do Banco de Portugal, mas irá manter-se em funções até à tomada de posse do sucessor. Mário Centeno nasceu no Algarve em 1966 e licenciou-se em economia no ISEG, em Lisboa (onde chegou a professor catedrático).