Economia

Secretário de Estado da Energia: "Crime económico é ser contra o hidrogénio"

Entrevista SIC Notícias

João Galamba responde a quem subscreveu manifesto contra a estratégia nacional para o hidrogénio: "A proposta dos 40 subscritores é colocar Portugal ao nível de uma Coreia do Norte".

O secretário de Estado da Energia falou esta quarta-feira, na Edição da Noite, sobre a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, que tem sido contestada pela CIP e por especialistas da área.

Quando questionado sobre a perspetiva das personalidades que assinaram o manifestado contra o plano do Governo, atirou de imediato: "são todos apoiantes do nuclear".

João Galamba explicou que o hidrogénio é uma aposta da Europa e que Portugal não pode ficar de fora, quer pela meta de descarbonização, quer pelos fundos que serão atribuídos para o investimento nesta energia.

"O manifesto é contra as eólicas, contra o solar e contra o hidrogénio. Portanto, o manifesto é contra as três principais opções energéticas da Comissão Europeia", continuou o secretário de Estado.

O Governo pretende investir cerca de sete mil milhões de euros até 2030 no hidrogénio, um projeto em que está incluído um complexo industrial em Sines, com várias indústrias.

Neste ponto, João Galamba garante que em Sines há água do mar e água residual, ao contrário do que tem sido dito pelos críticos da proposta.

Em relação à utilização de fundos europeus, o secretário de Estado com a pasta da energia esclarece que apenas uma pequena percentagem será destinada aos projetos relacionados com o hidrogénio e que, por isso, a ideia de que os fundos europeus serão todos gastos é falsa.

Esta semana, José Gomes Ferreira reprovou também o plano do Governo, num texto que foi altamente criticado por João Galamba ao longo da entrevista.

O CRIME ECONÓMICO DO HIDROGÉNIO - A OPINIÃO DE JOSÉ GOMES FERREIRA

CIP e pessoas ligadas à energia contra estratégia nacional para o hidrogénio

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e um grupo de 30 personalidades, ligadas à energia, estão contra ou desconfiam muito da Estratégia Nacional para o Hidrogénio.

O projeto do Governo pretende que sejam investidos, até 2030, cerca de 7 mil milhões de euros no desenvolvimento e produção de hidrogénio verde, em grande escala.

Entre os destinatários, estariam siderurgias e grandes consumidores de eletricidade.

Os críticos do projeto dizem que, se for adiante, o Estado vai voltar a subsidiar estruturas de produção de energia eléctricapara um projeto que ainda não tem tecnologia suficientemente desenvolvida para se saber se é rentável.