Economia

Queda histórica do PIB. Ministro já vê a recuperação, mas os partidos estão preocupados 

Armando Franca

Nunca a economia portuguesa caiu tanto em tão pouco tempo.

O PIB em Portugal recuou 16,5% no segundo trimestre de 2020, naquela que é a maior descida de sempre registada no país. Os dados foram avançados esta sexta-feira pelo INE, que decidiu antecipar a divulgação dos dados do PIB para dar mais informação sobre a crise que se vive.

Em reação aos números, o ministro da Economia Pedro Siza Vieira admite que o Governo terá de refazer as contas após o rombo brutal na economia do país.

Porém, num comunicado, o Ministério das Finanças ainda não dá qualquer sinal de que vão ser necessárias alterações e até refere que os indicadores económicos já refletem uma recuperação progressiva da economia.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz que a recuperação da economia não vai ser rápida e avisa que é preciso critério nas medidas a tomar e não repetir receitas do passado.

Da esquerda à direita, os partidos estão preocupados, mas criticam também algumas opções do Governo que consideram estar a agravar a situação.

No trimestre em que se registou a maior queda de sempre do PIB português em termos homólogos face ao ano anterior, a queda em cadeia - relativamente ao primeiro trimestre do ano - foi de 14,1%, adiantou também o INE.

No primeiro trimestre do ano, o PIB nacional recuou 2,3%, depois de um aumento de 2,2% nos três meses anteriores.

"Os números são todos maus, mas os de Portugal são muito maus"

Para Ricardo Costa há dois desafios que Portugal e os outros países da zona euro vão ter pela frente: "enfrentar uma crise sem precedentes recentes e traçar um plano de recuperação durante uma pandemia em que todos sabemos que podem acontecer muitas coisas imprevistas".

"Aquilo que aconteceu foi como se houvesse um mergulho a pique. (...) E o grande problema, é que para um mergulho desta profundidade não sabemos quanto tempo vamos demorar até voltar à superfície nem se voltamos à superfície que conhecíamos antes", explica Ricardo Costa.