Economia

Dia da poupança - E os outros 364 dias do ano?

Obviamente, acho importante haver um Dia da Poupança (31 de Outubro). Mas os dias - sejam do que for - fazem-me sempre muita confusão porque parece que nos outros dias não tenho de me preocupar com o assunto. Fala-se à exaustão do tema e já está. Amanhã, falamos de outro assunto.

Há temas que deviam fazer parte do nosso dia-a-dia, todos os dias do ano. Porquê? Porque o nosso bem-estar e equilíbrio (em várias áreas) dependem disso. Não faz sentido preocupar-me em ter uma alimentação saudável no Dia da Alimentação se não quero saber do assunto nos outros dias do ano.

Com a poupança acontece exatamente a mesma coisa. Mesmo o conceito de "poupança" é demasiado limitativo, na minha opinião. Transmite a ideia de que poupar é a única maneira de conseguirmos viver bem financeiramente.

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O que aprendi com a rubrica "Contas-poupança" aqui na SIC ao longo dos últimos 10 anos, é que a poupança é só uma pequena parte do que devemos fazer para termos uma vida financeiramente saudável.

A primeira pergunta é: estou a conseguir poupar?

Esta pergunta é fundamental independentemente do que você ganhar. Pode ganhar o salário mínimo ou 5 mil euros por mês.

Conheço casais em que ambos ganham o salário mínimo nacional e ao fim do mês têm mais dinheiro na conta do que pessoas que ganham 2 ou 3 mil euros por mês.

Cada um de nós - ganhe o que ganhar - deve dar lucro 10% todos os meses. Faça de conta que é uma empresa e que tem de dar lucro. Você é uma empresa saudável ou está à beira da falência?

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Então qual é o primeiro passo para pôr as suas finanças em ordem?

A resposta pode parecer demasiado generalista mas estou convencido de que é a mais simples das verdades: É pôr a sua cabeça em ordem.

O que é que quer na sua vida? Quais são os seus objetivos? Quanto custa aquilo que mais deseja? É um telemóvel novo? Trocar de carro? Uma casa? Ter dinheiro para pagar a Universidade dos seus filhos? Pagar a sua casa mais cedo? Reformar-se aos 50 anos? Uma viagem a um país distante? Pagar todas as contas ao fim do mês? Só você é que sabe.

Quando responder a esta simples pergunta (o que é que quer na vida e o que é que o faz feliz) tudo será mais fácil, porque pode começar a fazer escolhas pelas sua cabeça e não pela "cabeça" das empresas e instituições que obviamente só querem que você gaste o SEU dinheiro com eles, mesmo que isso o impeça de atingir o seu objetivo mais profundo.

Portanto, em resumo, se souber o que quer financeiramente (quanto custa e quanto tempo vai demorar a atingir esse valor) vai começar a dizer NÃO a certas despesas, por um "bem" maior. E é esse click na sua mente que vai fazer toda a diferença na sua vida. Ganhe o que ganhar.

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Depois entramos no segundo passo

Sabendo exatamente o que quer e o que precisa (sem extras dispensáveis) pode começar a acabar com sorvedouros de dinheiro (terminar contratos, mensalidades e hábitos recorrentes) e a canalizar essa poupança para os seus objetivos.

Ao mesmo tempo tem de renegociar os contratos que precisa ou que quer manter. Se há uma seguradora que faz um seguro melhor e mais barato para o seu carro, porque paga mais 100 ou 200 euros por ano só por preguiça ou inércia? O mesmo para a eletricidade, gás, telecomunicações, crédito à habitação, seguros de vida, etc, etc, etc.

A seguir, chegamos ao terceiro passo

O que fazer com o dinheiro que estou a poupar? Muitos acumulam esse valor numa conta à ordem ou a prazo que não cresce rigorosamente nada. E gastam-no na primeira oportunidade, simplesmente porque o têm disponível.

É o maior erro dos portugueses, no meu ponto de vista. Não conseguem arriscar. Tudo tem de ter capital garantido.

O que aprendi ao longo dos últimos anos, é que com conhecimento, informação e bom senso, com uma pequena parte das nossas poupanças podemos ganhar mais do que com 80% do dinheiro que está numa conta a prazo.

Podia falar dos Fundos de Investimento, das ações, e de coisas mais complicadas, mas vou ficar-me pelo mais simples de todos - fazer um bom PPR. Não para a reforma, mas como forma de investimento. Rende muito mais do que os produtos dos bancos e tem uma fiscalidade no resgate muito mais favorável com riscos muitos aceitáveis se pensar a médio/longo prazo.

Naturalmente, estou a falar-lhe destes assuntos pela rama. Tudo o que já lhe referi acima foi analisado em profundidade nas reportagens do Contas-poupança que estão todas na página online da SIC Notícias.

Todas estas dicas não se levam à prática de um dia para o outro. Algumas demoraram dias, semanas, meses ou até anos a se concretizarem. Mas só verá o dinheiro das suas poupanças a trabalhar para si se começar um dia a pensar na forma como anda a gerir o seu dinheiro. E hoje pode ser esse dia.

É por isso que estes dias Mundiais e Nacionais de tudo e mais alguma coisa são importantes. Porque permitem parar uns minutos e refletir sobre estes assuntos.

Mas, reforço este ponto: As suas poupanças, investimentos e a forma como gere o seu dinheiro precisam da sua atenção 365 dias por ano. Se ainda não o fez, vamos começar hoje?