Economia

UberEats responde a acusações sobre abuso nas taxas: "Estamos empenhados em apoiar os restaurantes"

Valentyn Ogirenko

A empresa reagiu às acusações da Deco/Proteste sobre suspeitas de harmonização nas taxas cobradas à restauração.

A UberEats, empresa de entrega de refeições, reagiu esta quinta-feira a acusações da organização Deco/Proteste sobre abuso de poder de mercado, na cobrança de taxas à restauração, afirmando estar empenhada "em apoiar os restaurantes".

"Estamos empenhados em apoiar os restaurantes e as milhares de pessoas que deles dependem para trabalhar, sendo este um serviço essencial neste momento difícil", afirmou fonte oficial da Uber, em resposta escrita à Lusa.

A reação surgiu pouco depois de a organização Deco/Proteste denunciar suspeitas de harmonização nas taxas cobradas à restauração, pela UberEats e pela Glovo, e expor a situação à Autoridade da Concorrência (AdC).

A Uber Eats responde ainda com o lançamento, no início da crise pandémica, de um "plano de apoio com várias iniciativas para ajudar os parceiros de restaurantes, especialmente proprietários de pequenos negócios, concentrando o nosso investimento em medidas que aumentem a procura" dos seus parceiros.

A acusção da Deco/Proteste, uma organização que desenvolve estudos e pareceres na área de defesa do consumidor, é a de abuso de poder de mercado devido à comissão cobrada pelo serviço e do valor de entrega, além de taxas adicionais que a organização diz estarem a aumentar a fatura dos consumidores.

"A pressão exercida pela Glovo e UberEats sobre os restaurantes, através das elevadas comissões, tem impacto para os consumidores, seja no aumento de preços, seja na oferta disponibilizada", afirmou a organização, em comunicado hoje divulgado, contestando assim aquilo a que chama de uma "harmonização de taxas em alta".

Após uma análise aos acordos das plataformas de entrega de refeições, a organização diz ter constatado que as comissões cobradas pela UberEats aos vendedores para o serviço (comissão), variava entre os 15% e os 30% e que, a par deste valor, existiam uma "taxa de ativação" e/ou um "taxa por danos" e/ou uma "taxa de assinatura" por cada artigo vendido através da plataforma.

Já as comissões cobradas pela plataforma Glovo aos vendedores atingiam 35% sobre as vendas obtidas pelos comerciantes através da app, contudo o 'contrato de partner Glovo para utilização da app' tem ainda uma cláusula que determina que esta taxa se aplica "sem prejuízo das restantes condições financeiras".

"A Deco Proteste exige a revisão das taxas aplicadas, alertando que os valores taxados por ambas as plataformas importam o esmagamento das margens de rentabilidade dos restaurantes -- conduzindo mesmo a situações de prejuízo, ou o aumento dos preços, com efeito para os consumidores", conclui também no comunicado divulgado esta quinta-feira.