Economia

Madeira "satisfeita" com prorrogação da Zona Franca mas "de pé atrás"

Armando Franca

Disse o presidente do Governo Regional.

A Madeira está "satisfeita" com a prorrogação dos benefícios fiscais da Zona Franca por mais um ano, mas de "pé atrás" com a proposta de renegociação das condições do IV Regime em vigor, disse esta quinta-feira o presidente do Governo Regional.

"Recebemos hoje a carta [do Governo da República]. Ficámos satisfeitos com a prorrogação durante um ano para a inscrição das empresas o Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) até o fim do próximo ano. É evidente que este prazo é eventualmente prorrogável", declarou o chefe do executivo madeirense.

Contudo, o governante madeirense sublinhou existir "outro aspeto que o deixa um pouco de pé atrás ou com grandes reservas, que é a situação de se propor, em função daqueles que são os interesses de alguns 'lobbies' da União Europeia, a renegociação das condições do IV Regime".

Governo prolonga Zona Franca da Madeira em 2021

O Governo português anunciou esta quinta-feira que pretende prolongar por um ano, até dezembro de 2021, o regime da Zona Franca da Madeira e vai aproveitar a iniciativa legislativa desta prorrogação para introduzir alterações à lei que clarifiquem o regime e evitem utilizações abusivas.

Estas intenções sobre o Regime IV da Zona Franca da Madeira (ZFM) constam de uma carta enviada esta quarta-feira ao Governo Regional da Madeira pelo Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Fiscais, a que a Lusa teve acesso.

Miguel Albuquerque frisou que "o IV regime está a funcionar em pleno, a cumprir as determinações da União Europeia", considerando que "a ideia de ceder aos 'lobbies', sobretudo, da extrema-esquerda" para proceder à sua alteração "é muito perigosa".

Segundo o líder do governo madeirense de coligação PSD/CDS, esta situação "pode acabar na redução da competitividade do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) relativamente às outras praças", o que, no fundo, acaba "por matar" este centro.

O governante insistiu que as empresas e os trabalhadores da Zona Franca da Madeira pagam os seus impostos nesta região, criticando a "visão alucinada que alguns 'lobbies' da UE têm" nesta matéria.

No entender do líder insular, "isto é um contrassenso e não tem nenhum sentido", exemplificando com o caso de uma empresa petrolífera sedeada no CINM que tem os seus trabalhadores em funções nas plataformas petrolíferas espalhadas pelo mundo.

"A maioria das empresas funcionam para mercado global e não para o mercado regional ou nacional", realçou.

Miguel Albuquerque especificou ainda que "o comunicado feito pelo Governo português comunica a prorrogação por um prazo de um ano, prorrogável até 2023".

"Agora, o que me preocupa é, neste momento, a cedência potencial para os 'lobbies' europeus nossos concorrentes que querem destruir a Zona Franca da Madeira e, sobretudo, fazer a vontade aos nossos concorrentes", disse.

O responsável madeirense assegurou que a ZFM "não quer mais do que as outras praças", mas, também não pode "ter condições piores", porque essa situação seria "contra os prevalentes interesses nacionais", "um contrassenso e dar um tiro no pé".

Miguel Albuquerque recordou que este problema tem origem num relatório [da União Europeia] que "tem um conjunto de absurdos, incongruências e até de decisões incompreensíveis", não tendo o Governo da Madeira sido ainda notificado desta decisão.

"Quando formos notificados, vamos rebater esses contrassensos e esses absurdos", enfatizou, argumentando que esse relatório "reflete uma visão entroncada daquilo que deve ser um Centro Internacional de Negócios a trabalhar para um mercado global".

Ainda mencionou que, até final do ano, o Governo da Madeira vai adquirir os 51% da quota privada da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira (SDM), gestora do CINM, "dando cumprimento a uma das recomendações e compromissos relativamente à União Europeia".

Com esta medida, o CINM "passa a ser um praça pública e pode ser que acabe a conversa" e "as polémicas absurdas", porque estará "ao serviço dos interesses nacionais", frisou.

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