Economia

Apoios Sociais. "Há claramente perigos em não respeitarmos a norma travão orçamental"

Manuel Caldeira Cabral, ex-ministro da Economia e atual administrador da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, em entrevista à SIC Notícias.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social insiste que o alargamento dos apoios sociais pela Assembleia da República tornou a atribuição mais injusta. O Governo mantém assim a divergência com o Parlamento, uma situação que Manuel Caldeira Cabral, ex-ministro da Economia, classifica de "complexa".

"O que está em causa são duas coisas: por um lado a justiça e o equilibrio dessas alterações à fórmula de cálculo (...); a segunda questão é uma questão de aumentar a despesa e ir contra a norma travão", considera Caldeira Cabral.

O ex-ministro da Economia diz que "há claramente perigos em não respeitar a norma travão orçamental e há perigos nas coligações negativas".

Caldeira Cabral defende que é inevitável levantar moratórias em setembro

Uma extensão até 2022, como tem sido defendido, para Caldeira Cabral seria "complicado, porque teria de ter um acordo com o Banco Central Europeu, ou seja as moratórias teriam de não ser consideradas como contas por pagar".

"O que eu penso é que é preciso criar instrumentos, que sejam de crédito mas também instrumentos de capital, para apoiar as empresas que tenham dificuldade em sair das moratória."


10 ANOS DE TROIKA


Há precisamente 10 anos o país pedia ajuda financeira internacional. Miguel Caldeira Cabral lançou esta terça-feira o livro "Construir uma Alternativa - A política económica da geringonça e a resposta à crise da covid-19".

O também professor na Universidade do Minho distingue no livro as duas fases de consolidação da economia: "Houve uma consolidação feita com austeridade - tanto em Portugal, como em toda a Europa - e que foi extremamente negativa, fez disparar o desemprego para níveis acima dos 16% em Portugal (...); e a consolidação que se conseguiu fazer entre 2015 e 2019, (...) que é uma consolidação efetiva, sem medidas de austeridade."

Caldeira Cabral considera que Portugal "está numa situação melhor do que a de 2010/2011 em alguns aspetos, porque conseguiu ter antes da crise um saldo positivo das contas públicas (...) e porque as políticas europeias estão diferentes".

"Esta crise tem um custo e esse custo vai ser pago. O que não tem é de ser pago no momento em que a crise está a acontecer aprofundando e afundando o país numa crise maior."