Economia

Dois portugueses entre os cinco candidatos na corrida à reprivatização da Efacec

Receberão agora um convite para apresentarem propostas para a aquisição dos 71,73% da empresa.

O grupo DST e a Sing, 'holding' da empresa industrial Sodecia, são os únicos portugueses entre cinco candidatos selecionados pelo Governo na corrida à Efacec, ao lado dos chineses Chint Group, dos egípcios Elsewedy Electric e da espanhola Iberdrola.

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, anunciou na quinta-feira que o Conselho de Ministros selecionou estas cinco, de entre 10 propostas, para avançarem no processo de reprivatização da Efacec Power Solutions, pelo que receberão agora um convite para apresentarem propostas vinculativas para a aquisição dos 71,73% da empresa nacionalizados pelo Estado.

Governo pretende concluir a reprivatização da Efacec "no verão deste ano"

Siza Vieira salientou o facto de todos os candidatos serem "empresas industriais" e "investidores estratégicos" e adiantou que o Governo pretende concluir a reprivatização da Efacec "no verão deste ano".

Desenvolvendo a sua principal atividade na área da engenharia e construção, setor que lhe deu origem - nos anos 40 - e no qual é um dos grupos nacionais de referência, a DST tem vindo a alargar a sua atividade para áreas de negócio sinérgicas como o ambiente, energias renováveis, telecomunicações, imobiliário e 'ventures'.

O objetivo assumido com esta diversificação é "atuar de forma complementar" e "abrir novas portas de entrada de negócio para a sua atividade 'core'".

Com sede em Braga e cerca de 1.600 trabalhadores, o DST Group está presente em diversos países, desde África à Europa, passando pelos continentes americano e asiático, com projetos internacionais nas áreas de negócio da engenharia e construção, energias renováveis e ambiente.

A outra candidata portuguesa à reprivatização da Efacec é a Sing - Investimentos Globais, SGPS, S.A., a 'holding' da empresa industrial portuguesa Sodecia, ligada a componentes do setor automóvel.

Fundada em 1980 e com sede na Maia, a Sodecia emprega cerca de 7.000 colaboradores e oferece soluções completas para automóveis, desde a carroçaria à motorização e sistemas de segurança.

A multinacional portuguesa está presente em 16 países, dispondo de um portefólio de meia centena de empresas em 44 localizações, três centros de competências de produto e uma faturação anual na ordem dos 760 milhões de euros.

Em Portugal dispõe de um centro tecnológico na Maia e de uma unidade industrial na Guarda.

A Sodecia tem assumido desde há alguns anos uma estratégia muito ativa de aquisições, tendo adquirido em julho do ano passado mais duas empresas de estruturas metálicas de automóveis: a Scorpios Manaus, no Brasil, e a Braun CarTec, na Alemanha.

Na corrida pela compra dos 71,73% da Efacec Power Solutions anteriormente detidos pela angolana Isabel dos Santos está também a chinesa CHINT Group Corporation, uma fornecedora global de soluções de energia inteligente fundada em 1984 e com negócios em cerca 140 países e regiões e mais de 30.000 funcionários.

A CHINT foi classificada entre as 500 maiores empresas da China por 18 anos consecutivos e a sua subsidiária CHINT Electrics foi a primeira empresa naquele país com produtos elétricos de baixa tensão como negócio principal a ser listada no índex A-share como uma das 50 maiores empresas asiáticas.

Com foco no sistema de fornecimento, armazenamento, transmissão, distribuição e consumo de energia, a CHINT tem o seu 'core business' (negócio principal) centrado na energia limpa, 'big data' e serviços de valor agregado de energia, operando ainda com equipamentos fotovoltaicos, armazenamento de energia, transmissão e distribuição de energia, aparelhos de baixa tensão, terminais inteligentes, desenvolvimento de 'software' e automação de controle.

Opera em Portugal através da filial CHINT Electrics Portugal.

A 'shortlist' de candidatos à compra da Efacec integra ainda a multinacional elétrica egípcia Elsewedy Electric Corporation, fundada em 1938 pela família Elsewedy, que abriu nesse ano no Cairo um pequeno negócio de comercialização de equipamentos elétricos.

Atualmente, a Elsewedy atua em toda a cadeia elétrica, da produção à distribuição de energia, fabricando e vendendo produtos e serviços integrados em sete segmentos: cabos, produtos elétricos, telecomunicações, transformadores, energia eólica, instalações chave na mão (da engenharia à distribuição) e soluções de gestão de energia (redes inteligentes).

Com cerca de 15.000 funcionários, está cotada na bolsa de valores do Cairo desde 2006.

Na sua página oficial na Internet, a Elsewedy Electric diz ter "uma presença significativa na Europa", exportando fios, cabos, transformadores e outros produtos para a Alemanha, Itália, Holanda, Reino Unido e Espanha e para mais 105 países em todo o mundo e tendo parcerias com gigantes como a Siemens e Gamesa.

A fábrica de contadores inteligentes que possui na Eslovénia é apresentada como "líder global em produtos, sistemas e serviços de medição para uso comercial e residencial".

Mais conhecida em Portugal é a espanhola Iberdrola, que atua na distribuição de gás natural e na geração e distribuição de energia elétrica e se apresenta como "o maior produtor de energias renováveis da Europa e dos EUA, uma das cinco maiores companhias elétricas do mundo e o líder mundial em energia eólica".

Com uma equipa multinacional de mais de 28.000 pessoas em 31 países e 100 milhões de clientes em todo o mundo, a Iberdrola está presente em Portugal na comercialização de eletricidade e gás.

Possui ainda investimentos nos projetos do Complexo Hidroelétrico do Alto Tâmega (um dos maiores projetos hidroelétricos na Europa nos últimos 25 anos) e da Central de Ciclo Combinado da Figueira da Foz e tem em operação três parques eólicos com uma potência nominal de 92 megawatts (MW) - Catefica, em Torres Vedras, Alto do Monção, nos municípios de Mortágua e Tondela; e Serra do Alvão, em Ribeira de Pena - que originam 200 gigawatts/ano de eletricidade de origem renovável.

A empresa terá também já iniciado o processo de licenciamento ambiental para novos parques eólicos no Tâmega Norte e Tâmega Sul, num investimento de 450 milhões de euros.

No segmento solar, a Iberdrola vai construir nova central fotovoltaica no Algarve, com uma capacidade instalada de 83 MW e 14 MW de armazenamento (a entrar em funcionamento até 2024), na sequência da segunda ronda de leilões solares realizada em agosto de 2020.

Esta nova central irá juntar-se os 172 MW de tecnologia fotovoltaica que a empresa ganhou no primeiro leilão realizado em 2019.