Economia

Lucro do BCP sobe para quase 58 milhões de euros no 1.º trimestre

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© Kacper Pempel / Reuters

São mais 63,8% do que os 35,3 milhões de euros registados nos mesmos três meses de 2020.

O BCP teve lucros de 57,8 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 63,8% do que os 35,3 milhões de euros registados nos mesmos três meses de 2020, divulgou esta segunda-feira o banco.

O resultado do primeiro trimestre inclui 112,8 milhões de euros de provisões para riscos legais de créditos em francos suíços na operação do BCP da Polónia.

Ainda segundo as contas hoje divulgadas, entre janeiro e março, as imparidades e provisões foram reforçadas em 242,8 milhões de euros, mais 20,3% do que nos primeiros três meses de 2020.

Hoje, na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o presidente do BCP, Miguel Maya, disse que a economia tem mostrado sinais de ser mais resiliente do que se pensou anteriormente, o que atribuiu à vacinação, aos apoios do Estado (proteção emprego e linhas de crédito para empresas com garantia estatal) e também aos bancos (moratórias de créditos).

Mas considerou que é "diferente olhar para a floresta e para segmentos da floresta" e que há que "reconhecer que há bolsas muito relevantes de empresas e famílias que vão passar muito mal", sobretudo em setores como restauração, hotelaria e cultura, com impacto no sistema bancário.

Sobre o BCP, questionado sobre eventual necessidade de capitalização da banca, disse que o banco tem tido uma "gestão prudente, rigorosa" e que não precisará "de qualquer apoio".

Olhando para a conta de resultados do BCP, no primeiro trimestre face ao mesmo trimestre de 2020, a margem financeira caiu 2,5% para 376 milhões de euros e as comissões cederam 1% para 177,9 milhões de euros, o que atribui em ambos os casos sobretudo à atividade internacional.

Já os custos operacionais caíram 9,2% para 259,3 milhões de euros, em grande parte devido à diminuição de gastos com pessoal, contribuindo para sustentar os lucros.

Em Portugal, os custos com o pessoal caíram 3,5% para 87,1 milhões de euros, devido à redução líquida de trabalhadores que passaram de 7.193 colaboradores no final de março de 2020 para 7.004 em fim de março.

Sobre novas reduções de pessoal, o presidente do BCP disse hoje que o banco anunciará no momento oportuno o plano de saída de trabalhadores, sem adiantar quantos funcionários quer dispensar pois ainda não tem o plano de redução de custos fechado.

No balanço, o crédito (líquido) subiu 3,5% para 54.344 milhões de euros. Só na atividade em Portugal, o crédito subiu 3,5% para 38.644 milhões de euros, um crescimento que se deve "em grande parte ao crédito concedido ao abrigo das linhas de crédito lançadas pelo Governo para fazer face aos impactos provocados pela pandemia associada à covid-19", refere o banco.

O rácio de crédito em incumprimento ('NPL - non-performing loans') no primeiro trimestre era de 2,8%, abaixo dos 3,8% de março de 2020.
Os depósitos, por seu lado, subiram 7,5% para 65.373 milhões de euros.