Economia

Novo Banco. “Esta parte da discussão descredibiliza o trabalho muito bem feito pela comissão de inquérito"

Opinião

José Gomes Ferreira analisa a partidarização que se está a fazer do relatório.

A discussão sobre o relatório da comissão de inquérito ao Novo Banco começou esta segunda-feira. O relator do documento, Fernando Anastácio, é acusado pelos vários partidos de ter redigido um relatório com a visão do PS sobre o que acontece ao Banco Espírito Santo. José Gomes Ferreira, diretor-adjunto da SIC Notícias, critica a partidarização da discussão.

“Esta parte da discussão é que descredibiliza um trabalho que foi muito bem feito pela comissão de inquérito, que obrigou os grandes devedores e gestores do banco em causa a irem lá explicar-se e tirou conclusões muito importantes, nomeadamente ao expor a desfaçatez com que os grandes devedores encararam ou não querem encarar aquilo que são as suas dívidas, ironizando connosco”, disse numa análise feita na Edição da Tarde.

Segundo o jornalista, o relatório “oblitera a parte em que o regulador Vítor Constâncio, no tempo do Governo de José Sócrates, deixou fazer as piores patifarias dentro do Grupo Espírito Santo e do Banco Espírito Santo, sem fazer quase nada”. Por outro lado, o período de Carlos Costa, a partir de 2010, é criticado pelo documento.

“O PS caiu-lhe em cima porque era como se fosse um opositor político. E o senhor Fernando Anastácio, ilustre deputado deste país, reflete isso: não destaca aquilo que foi a ausência e diria a incompetência de Vítor Constâncio e destaca e dá grandes parangonas àquilo que foi a resolução”, afirma José Gomes Ferreira.

Sobre a venda, que aconteceu durante o Governo PS com Mário Centeno na pasta das Finanças, o jornalista sublinha que era uma imposição da Direção-Geral da Concorrência Europeia e do Banco Central Europeu.

“O problema é o destaque que se dá politicamente àquilo que se quer destacar e o esconder aquilo que se quer esconder. Não só nas conclusões como em tudo o que é discussão pública sobre o assunto. E na verdade o relator não está muito interessado em destacar o período desastroso da supervisão de Vítor Constâncio nem a venda desastrosa que foi feita”, afirma.

Ricardo Salgado de férias durante o processo judicial

Depois das notícias que o ex-banqueiro Ricardo Salgado estaria a passar férias fora do país, tendo pedido escusa do tribunal devido ao risco de contrair covid-19, José Gomes Ferreira deixa críticas à Justiça portuguesa.

“Isto é tudo dentro da legalidade, do que as leis, os mecanismos e os regulamentos permitem. E isso é que é extraordinário e é absurdo. Ricardo Salgado foi o agente económico português que mais dinheiro tirou do bolso dos portugueses de forma – a todos os indícios – fraudulenta, sem nunca o devolver. Direta e depois indiretamente porque tivemos de compensar o novo banco. E depois tem este comportamento de sair”, afirma o jornalista.

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