Economia

Indústria do entretenimento recupera 6% no pós-pandemia e desta vez quem manda são os jovens

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Segundo a consultora PwC, as receitas da indústria do entretenimento deverão crescer 6,5% em 2021 e 6,7% em 2022 em todo o mundo, muito graças ao dinamismo dos novos media direcionados às gerações mais jovens.

Uma das mais afetadas pela pandemia, a indústria dos media e entretenimento deverá voltar já em 2021 ao crescimento. Segundo um estudo setorial da consultora de gestão PwC, as receitas globais desta indústria deverão crescer 6,5% em 2021 e 6,7% em 2022, muito graças à digitalização reforçada pela pandemia e ao dinamismo dos novos media direcionados às gerações mais jovens.

Depois de uma quebra de 3,8% da faturação global na indústria dos media e entretenimento, que em 2020 recuou para os 2 biliões de dólares (1,7 biliões de euros) face a 2,1 biliões de dólares (1,8 biliões de euros), a previsão da PwC é de um crescimento anualizado a rondar os 5%: em 2025, as receitas globais deverão alcançar os 2,5 biliões de dólares (2,1 biliões de euros).

O estudo assinala que países como a Índia, com uma população crescente quase a ultrapassar a chinesa, a Arábia Saudita, com novo potencial nesta indústria depois de a exibição de cinema ter voltado a ser possível em 2019, e a Nigéria, com um setor de TV por subscrição e de jogos de vídeo, serão as grandes locomotivas.

Na Europa, por outro lado, os maiores mercados desta indústria, Reino Unido, França e Alemanha, deverão ter crescimentos anualizados entre os 4% e os 6%.

Consumidores vão gastar mais

Segundo o estudo, intitulado "Power shifts: Altering the dynamics of the E&M industry" ["Deslocação de poder: Mudar as dinâmicas da indústria do entretenimento e media" em português], a receita relativa a gastos dos consumidores recuou 5,5% em 2020. Contudo, perspetiva-se um crescimento anualizado de 3,9% entre 2021 e 2025, ano em que alcançará os 914,9 mil milhões de dólares (775,8 mil milhões de euros).

"A estagnação de setores tradicionais como jornais e revistas deverá ser mais do que compensada pelo rápido crescimento das receitas de áreas em forte expansão, focadas em particular nos consumidores jovens, como jogos de vídeo e e-sports e vídeo OTT [over-the-top, ou plataformas para além da exibição tradicional como a Netflix]", assinala o documento. Contudo, realça que "a televisão e home video continuarão a representar a maior parcela das receitas totais de consumidores", que deverão recuar anualmente 1,2% até 2025.

As receitas de publicidade, entretanto, deverão crescer para os 797,8 mil milhões de dólares (676,5 mil milhões de euros) em 2025 face a 582,5 mil milhões de dólares (493,9 mil milhões de euros) no ano passado. "Mas na publicidade, tal como nos conteúdos, o aumento das receitas será distribuído a diferentes participantes" face aos que eram os mais proeminentes no passado.

Boomers, afastem-se

Isto porque são os jovens os maiores consumidores de entretenimento e media - isto é, eles mandam. E não querem saber dos meios tradicionais, pelo menos da mesma forma que os seus ascendentes próximos.

Um indicador desta realidade é o sucesso da plataforma TikTok: em quatro anos, assinala o estudo, a ByteDance, empresa chinesa dona da aplicação, conseguiu que uma em cada seis pessoas no mundo usasse o TikTok. Isto é, alcançou o feito de uma base de utilizadores mensais ativos na ordem dos 1,29 mil milhões espalhados por 141 países.

O TikTok ilustra também outra tendência, que é a de uma transferência de poder para os criadores, livres de intermediários para produzir e distribuir os conteúdos. Tal está a ocorrer em setores como o jornalismo, com o emergir de newsletters unipessoais de repórteres dissidentes de grandes, ou pequenos, meios, através de plataformas como o Substack; e na música, com a venda choruda de catálogos de criadores às majors, como Bob Dylan, que vendeu o seu catálogo à Universal por 300 milhões de euros no final de 2020, sublinha o estudo.