Economia

O que mudou no relatório da comissão de inquérito ao Novo Banco

O documento sofreu várias alterações e, no final, o PS acabou por votar contra.

Rui Rio recusa que a resolução do Banco Espírito Santo (BES) tenha sido uma fraude política. Essa é uma das conclusões do inquérito ao Novo Banco, que responsabiliza o Governo de Pedro Passos Coelho e também o de António Costa. Os deputados concluirão também que o Governo socialista teve um papel determinante na venda do Novo Banco, não tendo ficado salvaguardado o interesse público.

Do relatório inicial ao final mudou-se quase tudo. As mais de 50 audições do inquérito ao Novo Banco produziram cerca de 430 páginas de relatório preliminar assinado pelo relator Fernando Anastácio, deputado do PS.

Para além de concluir que a supervisão falhou, o documento poupava Mário Centeno, na altura ministro das Finanças, na venda do Novo Banco e distribuía a responsabilidade pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu. Só o PS ficou satisfeito com esta versão.

Os partidos apresentaram centenas de alterações, muitas delas aprovadas numa geometria muito variável. Por proposta do PSD, Bloco de Esquerda e Iniciativa liberal, as conclusões finais passam a incluir que o Governo de António Costa teve um papel determinante na venda do Novo Banco, que Centeno foi central no processo e que o contrato não permitiu acautelar o interesse público.

O PSD acaba por votar a favor do relatório, apesar de também nele ficar escrito que a resolução do BES foi uma fraude política e de responsabilizar o Governo de Passos Coelho.

Tudo somado, a oitava comissão de inquérito à banca fica marcada por conclusões em que ninguém se revê, mas que todos – à exceção do PS – viabilizaram. Reparte culpas tanto por Governos PSD como PS e acaba como relatório, mas sem relator.

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