Economia

Abrandamento da economia portuguesa acentua-se na segunda metade de julho

O indicador diário de atividade económica (DEI) calculado pelo Banco de Portugal cresceu 2,9% em termos homólogos na semana terminada a 25 de julho, o que compara com 4,7% na semana anterior. Indicador tinha entrado em julho a crescer a dois dígitos

O abrandamento do ritmo de expansão da atividade económica em Portugal está a acentuar-se ao longo do mês de julho. A economia continua a crescer face ao ano passado, mas de forma cada vez mais moderada.

É isso que sinaliza o indicador diário de atividade económica (DEI), publicado pelo Banco de Portugal (BdP), cujos dados foram atualizados esta quinta-feira.

Segundo uma nota do BdP, publicada na sua página na internet, na semana terminada a 25 de julho o DEI - um indicador compósito que procura traçar, quase em tempo real, um retrato da evolução da atividade económica no país - "diminuiu face à semana anterior". E esta trajetória de abrandamento tem sido sentida ao longo de todo o mês de julho.

A média móvel semanal do DEI, nessa semana - que abrange o período entre 19 e 25 de julho -, indica um crescimento homólogo da atividade económica em Portugal de 2,9%. Isto quando a mesma média móvel referente à semana terminada a 18 de julho sinalizava um incremento de 4,7% em termos homólogos.

Na semana terminada a 11 de julho a média móvel semanal do DEI registava um crescimento homólogo de 11,2%, e que atingia os 16,3% na semana terminada a 4 de julho.

Na explicação deste abrandamento é preciso ter em conta dois fatores. Primeiro, o agravamento da situação pandémica em Portugal, com o aumento da incidência de casos de covid-19, associada à expansão da variante delta no país, levou o Governo a impor várias medidas restritivas que, ao longo de julho, foram sendo aplicadas num número crescente de concelhos do país, penalizando a atividade económica.

Restrições que poderão, tudo o indica, ser aligeiradas no conselho de ministros desta quinta-feira, tendo em conta os resultados da reunião de peritos desta semana sobre a evolução da pandemia em Portugal e os avanços na vacinação.

Acresce ainda o efeito de base, como fator explicativo deste abrandamento do ritmo de crescimento da economia portuguesa em julho. No segundo trimestre o DEI alcançou valores de crescimento muito expressivos (acima dos 20%), mas comparava com um período homólogo de 2020 marcado por um trambolhão inédito na economia portuguesa. Os economistas ouvidos pelo Expresso antecipam um crescimento do Produto Interno Bruto no segundo trimestre acima dos 15%.

Já o terceiro trimestre, que se iniciou em julho, compara com um período homólogo de 2020 de recuperação marcada da economia portuguesa.

O BdP calcula ainda a taxa bienal do DEI que, na prática, nos indica o crescimento acumulado neste indicador entre 2019 e 2021. Esta taxa, em termos de média móvel semanal, registou uma queda de 5,4% na semana terminada a 25 de julho, sinalizando que a economia operou abaixo do período homólogo de 2019.

Este valor agravou-se face à semana anterior - terminada a 18 de julho - quando esta taxa ficou nos -3,9%.

Contudo, entre meados de junho e a semana terminada a 11 de julho, a taxa bienal do DEI encontrava-se em terreno positivo, indicando que a atividade económica estava ligeiramente acima do patamar pré-crise.

O DEI sumaria um conjunto de informação de natureza quantitativa e frequência diária, como o tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, o consumo de eletricidade e de gás natural, a carga e correio desembarcados nos aeroportos nacionais e as compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes. Por isso, permite traçar, quase em tempo real, um quadro da evolução da atividade económica no país.

Os dados atualizados são divulgados semanalmente pelo Banco de Portugal, à quinta-feira, com informação até ao domingo precedente. A informação disponibilizada refere-se aos valores diários e à média móvel semanal deste indicador.

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