Economia

Novo Banco com lucros de 137,7 ME no 1.º semestre

Pedro Nunes

Tinha tido prejuízos de 555,3 milhões de euros no mesmo período de 2020.

O Novo Banco teve lucros de 137,7 milhões de euros no primeiro semestre, que compara com os prejuízos de 555,3 milhões de euros do mesmo período de 2020, divulgou esta segunda-feira o banco.

Esta é a primeira vez que o Novo Banco apresenta resultados semestrais positivos (já tinha apresentado lucros no primeiro trimestre), o que segundo a apresentação de resultados "demonstra a capacidade do negócio em gerar capital".

Segundo as contas esta segunda-feira divulgadas ao mercado, o produto bancário foi de 489 milhões de euros no primeiro semestre, mais 66% face ao primeiro semestre de 2020 (resultado reexpresso para retirar a operação de Espanha, que foi acordada vender), com a margem financeira a avançar 13,1% para 289,3 milhões de euros e as comissões 3,1% para 135,5 milhões de euros.

"Evolução positiva das taxas de juro de mercado"

Para o lucro contribuíram ainda os 93,3 milhões de euros em resultados de operações financeiras (tinham sido negativas em 35,7 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2020), o que o banco justifica "maioritariamente pela evolução positiva das taxas de juro de mercado neste primeiro semestre de 2021".

O Novo Banco reduziu a constituição de novas imparidades e provisões. Reforçou as provisões em 89,2 milhões de euros para perdas (sobretudo para crédito), mas bem abaixo dos 343,7 milhões de euros do primeiro semestre de 2020.

Ainda no primeiro semestre de 2020, tinham sido registados 260,6 milhões de euros negativos relativos à reavaliação de Fundos de Reestruturação, o que este semestre não aconteceu.

Já os custos operacionais caíram 4,7% para 204,1 milhões de euros. Apenas os custos com pessoal caíram 2,9% para 117,6 milhões de euros.

Olhando para o balanço, os depósitos aumentaram 3% para 26.875 milhões de euros.

Já o crédito a clientes (bruto) caiu 0,9% para 24.986 milhões de euros, uma redução ligeira que o banco atribuiu à "continuada estratégia de redução de créditos não produtivos (NPL)". No primeiro semestre, vendeu uma carteira de créditos e ativos relacionados com um valor bruto de 210,4 milhões de euros, informou.

O rácio de créditos problemáticos ('NPL - non performing loans') passou de 8,9% em dezembro passado para 7,3% em junho.

Em junho, as moratórias abrangiam 5,6 mil milhões de euros de créditos, abaixo dos 6,9 mil milhões de euros de dezembro, representando cerca de 22% da carteira de crédito.

As moratórias abrangem 30% da carteira de crédito a empresas, 15% da carteira de crédito habitação e 3% da carteira de outros créditos a particulares, no total de 20.000 clientes, segundo o banco.

Novo Banco

O Novo Banco nasceu em 3 de agosto de 2014 (completa esta terça-feira sete anos) na resolução do Banco Espírito Santo (BES).

Em 2017, o Estado português acordou a venda de 75% do banco ao fundo de investimento norte-americano Lone Star. Então, foi criado um mecanismo de capitalização contingente pelo qual o Fundo de Resolução se comprometeu a, até 2026, cobrir perdas com ativos 'tóxicos' com que o Novo Banco ficou do BES até 3.890 milhões de euros.

O Novo Banco já consumiu, até ao momento, 3.293 milhões de euros de dinheiro público ao abrigo deste mecanismo de capitalização.