Economia

Alívio das restrições dá fôlego à economia portuguesa e crescimento acelera em agosto

NUNO FOX

A economia portuguesa tem vindo a acelerar desde o início de agosto, mês em que entrou em vigor o alívio das medidas restritivas para combater a pandemia de covid-19, sinaliza o indicador diário de atividade económica do Banco de Portugal

O alivio das medidas restritivas impostas pelo Governo para combater a pandemia de covid-19 parece ter dado novo fôlego à economia portuguesa e o crescimento tem acelerado em agosto, invertendo a tendência de abrandamento sentida em julho. É isso que sinaliza o indicador diário de atividade económica (DEI), publicado pelo Banco de Portugal (BdP), cujos dados foram atualizados esta quinta-feira.

Segundo a nota do BdP, publicada na sua página na internet, na semana terminada a 15 de agosto, o DEI - um indicador compósito que procura traçar, quase em tempo real, um retrato da evolução da atividade económica no país - "aumentou face à semana anterior". Uma tendência que se tem vindo a sentir desde o início de agosto e que se reforçou na última semana.

A média móvel semanal do DEI, na semana terminada a 15 de agosto - que abrange o período entre 9 e 15 de agosto -, indica um crescimento homólogo da atividade económica em Portugal de 6%. Isto quando a mesma média móvel referente à semana terminada a 8 de agosto sinalizava um incremento de 4,2% em termos homólogos.

O DEI tinha entrado em julho a crescer a dois dígitos, mas foi perdendo fulgor ao longo do mês, na sequência do efeito de base - no terceiro trimestre do ano passado a economia portuguesa recuperou de forma marcada depois do trambolhão inédito dos três meses anteriores - e do agravamento da situação pandémica em Portugal, com o aumento da incidência de casos de covid-19, associada à expansão da variante delta no país, a levar o Governo a impor várias medidas restritivas, penalizando a atividade económica.

Restrições que, a partir de 1 de agosto, foram aliviadas pelo Governo devido ao avanço da vacinação no país. O que, tudo o indica, terá ajudado a impulsionar a economia portuguesa desde então.

O BdP calcula ainda a taxa bienal do DEI que, na prática, nos indica o crescimento acumulado neste indicador entre 2019 e 2021. Esta taxa, em termos de média móvel semanal, regista um crescimento de 0,5% na semana terminada a 15 de agosto, sinalizando que a economia portuguesa operou ligeiramente acima do período homólogo de 2019, ou seja, do patamar pré-crise. Isto quando na semana anterior estava em território ligeiramente negativo, nos -3,2%.

O DEI sumaria um conjunto de informação de natureza quantitativa e frequência diária, como o tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, o consumo de eletricidade e de gás natural, a carga e correio desembarcados nos aeroportos nacionais e as compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes. Por isso, permite traçar, quase em tempo real, um quadro da evolução da atividade económica no país.

Os dados atualizados são divulgados semanalmente pelo Banco de Portugal, à quinta-feira, com informação até ao domingo precedente. A informação disponibilizada refere-se aos valores diários e à média móvel semanal deste indicador.

Economia portuguesa continuou a recuperar em julho

Apesar de alguns sinais de abrandamento, a atividade económica em Portugal prosseguiu a trajetória de recuperação em julho. É isso que indicam os indicadores coincidentes do BdP, também publicados esta quinta-feira.

"Em julho, os indicadores coincidentes mensais para a atividade económica e para o consumo privado mantiveram uma trajetória ascendente, aumentando face ao mês anterior", escreve o BdP numa nota publicada na sua página da internet.

Os indicadores coincidentes procuram captar a tendência de evolução do respetivo indicador subjacente, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB) e do consumo privado.

Ora, em julho o indicador coincidente mensal para a atividade económica regista uma taxa de variação homóloga de 2,8%, o que compara com 2,1% em junho, 1,1% em maio, -0,2% em abril e -1,6% em março.

Quanto ao indicador coincidente mensal para o consumo privado alcançou uma taxa de variação homóloga de 6,9%, acima dos 6% de junho, 4,7% de maio, 3% de abril e 1,2% de março.

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