Economia

Economia portuguesa abranda no final de agosto

Bloomberg

Depois de ter acelerado em agosto, com o alívio das medidas restritivas, a atividade económica acabou por fechar o mês a perder gás. Na última semana de agosto cresceu face a 2020, mas pouco, sinaliza o indicador diário de atividade económica do Banco de Portugal

O crescimento da economia portuguesa, que tinha acelerado em agosto, com o avanço da vacinação contra a covid-19 e o alívio das medidas restritivas por causa da pandemia, acabou por fechar o mês com uma forte moderação. Na última semana do mês ficou no verde face a 2020, mas por uma margem pequena, e voltou a ficar abaixo do patamar de 2019.É isso que sinaliza o indicador diário de atividade económica (DEI), publicado pelo Banco de Portugal (BdP), cujos dados foram atualizados esta quinta-feira.

Segundo a nota do BdP, publicada na sua página na internet, na semana terminada a 22 de agosto, o DEI - um indicador compósito que procura traçar, quase em tempo real, um retrato da evolução da atividade económica no país - "diminuiu face à semana anterior".

De facto, a média móvel semanal do DEI, na semana terminada a 29 de agosto - que abrange o período entre 23 e 29 de agosto -, indica um crescimento homólogo da atividade económica em Portugal de 1,7%. Isto quando a mesma média móvel referente à semana terminada a 22 de agosto sinalizava um incremento de 5,6% em termos homólogos.

O DEI tinha abrandado ao longo de julho, na sequência do efeito de base - no terceiro trimestre do ano passado a economia portuguesa recuperou de forma marcada depois do trambolhão inédito dos três meses anteriores - e do agravamento da situação pandémica em Portugal, com o aumento da incidência de casos de covid-19, associada à expansão da variante delta no país, a levar o Governo a impor várias medidas restritivas, penalizando a atividade económica.

Restrições que, a partir de 1 de agosto, foram aliviadas pelo Governo devido ao avanço da vacinação no país. O que, indicam os valores do DEI ao longo desse mês, ajudou a impulsionar a economia portuguesa. Contudo, afora este indicador sinaliza um abrandamento marcado. Resta saber, se as próximas semanas vão confirmar essa tendência, ou se, pelo contrário há uma nova aceleração. Ata porque as restrições associadas à pandemia de covid-19 voltaram a ser aligeiradas a 1 de setembro.

Quanto à taxa bienal do DEI, que indica o crescimento acumulado neste indicador nos últimos dois anos, ou seja, entre 2019 e 2021, a evolução foi negativa no final de agosto.

Depois de ter estado em território positivo durante duas semanas, sinalizando que a economia portuguesa estava a operar acima do período homólogo de 2019, ou seja, do patamar pré-crise, esta taxa voltou a ficar negativa. Em termos de média móvel semanal, regista uma quebra de 2,4% na semana terminada a 29 de agosto, o que indica que a atividade económica ficou abaixo do patamar da mesma semana de 2019.

O DEI sumaria um conjunto de informação de natureza quantitativa e frequência diária, como o tráfego rodoviário de veículos comerciais pesados nas autoestradas, o consumo de eletricidade e de gás natural, a carga e correio desembarcados nos aeroportos nacionais e as compras efetuadas com cartões em Portugal por residentes e não residentes. Por isso, permite traçar, quase em tempo real, um quadro da evolução da atividade económica no país.

Os dados atualizados são divulgados semanalmente pelo Banco de Portugal, à quinta-feira, com informação até ao domingo precedente. A informação disponibilizada refere-se aos valores diários e à média móvel semanal deste indicador.

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