Economia

Trabalhadores da Saint-Gobain vão a S. Bento pedir ao Governo que trave o despedimento coletivo

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Em protesto contra o despedimento coletivo dos 130 funcionários da empresa.

Os trabalhadores da Saint-Gobain em Santa Iria da Azoia, Loures, manifestam-se hoje, com as respetivas famílias, em Lisboa, para pedir ao primeiro-ministro que trave o despedimento coletivo dos 130 funcionários da empresa.

Depois de concentrações junto aos ministérios do Trabalho e da Economia, estes trabalhadores vão deslocar-se à capital com as famílias para desfilar entre a zona de Santos e S. Bento e manifestar-se junto à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa.

"Temos vindo a pedir a intervenção do Governo junto desta multinacional, para que impeça o encerramento da fábrica e defenda os interesses do país e o aparelho produtivo nacional, dado que é a única fábrica do país que produz vidro para automóveis", disse à agência Lusa Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (FEVICCOM).

Os trabalhadores têm-se concentrado diariamente junto à fábrica de Santa Iria, há cerca de um mês, em defesa dos postos de trabalho.

"A empresa diz que a sua decisão é irrevogável, mas isso não significa que o Governo assista impávido e sereno ao encerramento desta fábrica e ao despedimento de 130 pessoas. Quando são esperados tantos milhões da União Europeia para ajudar à recuperação económica, certamente que pode ser encontrada uma solução para salvar esta empresa, que é importante para a economia nacional, já que o vidro que ela produz terá de ser importado, contribuindo para o agravamento do défice", disse Fátima Messias.

A FEVICCOM tem uma reunião, na segunda-feira, no Ministério do Trabalho, com os secretários de Estado do Emprego e Adjunto do ministro da Economia para discutir esta situação.

Na quarta reunião para discutir o despedimento coletivo na Saint-Gobain, na sexta-feira, a empresa apresentou propostas de recolocação para cerca de uma centena de trabalhadores e aumentou o valor das suas indemnizações, mas reiterou a irreversibilidade da decisão de encerramento da atividade produtiva em Santa Iria.

Os trabalhadores consideraram que a empresa apenas "apresentou perspetivas e não soluções".

Segundo a empresa, os problemas da Saint-Gobain Sekurit Portugal têm mais de uma década, mas "a pandemia da covid-19 agravou uma situação já de si frágil, aumentando substancialmente a retração do mercado automóvel (a empresa transforma vidro para os automóveis, sendo essa a sua única atividade), sem possibilidades de recuperação a curto, médio e longo prazo".

Em Portugal, o Grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de faturação correspondente a 180 milhões de euros.

O processo negocial no âmbito do despedimento coletivo na Saint-Gobain Sekurit Portugal prossegue na terça-feira.

A decisão de encerramento da atividade produtiva da empresa e o consequente despedimento coletivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de agosto.