Economia

Líder do FMI diz que foi enganada por escritório de advogados na investigação do Banco Mundial

Escritório de advogados considera que a responsável influenciou a equipa para mudarem a classificação da China no relatório "Doing Business" de 2018

A líder do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, voltou a defender-se das acusações que lhe fazem quanto à época em que era presidente executiva do Banco Mundial. Agora, disse que o escritório de advogados WilmerHale descaracterizou os seus atos da altura e que lhe tinham garantido que não era alvo de investigação, noticia a agência Reuters.

Numa declaração para o conselho executivo do FMI, Georgieva rejeitou a conclusão de WilmerHale de que ela e outros funcionários com cargos elevados no Banco Mundial pressionaram a equipa a alterar os dados para beneficiar a China.

O escritório de advogados considera que a responsável influenciou a equipa para mudarem a classificação da China no relatório "Doing Business", relatório sobre as condições para fazer negócios em cada país, anualmente publicado pela instituição. Foi no relatório de 2018, quando Georgieva era a sua presidente executiva, que alegadamente houve mudanças na metodologia de utilização dos dados que beneficiaram a pontuação da China.

Além do mais, tinha sido informada de que não estava sob investigação.

Por fim, Georgieva rejeitou qualquer ligação entre a classificação da China e um aumento de capital proposto pelo Banco Mundial.

Já não é a primeira vez que a responsável faz este tipo de declarações. No final de setembro, a líder do FMI disse, num comunicado citado pelo "Financial Times" que “não há absolutamente nenhum quid pro quo relacionado com o financiamento do Banco Mundial. Rever a integridade desses relatórios fazia parte das minhas responsabilidades profissionais naquela altura e, ao contrário do que está reportado, segui todos os protocolos para a sua edição”.

Perante a polémica, o relatório anual "Doing Business", feito desde 2003 para permitir aos investidores terem noção do risco do investimento em cada país, vai deixar de ser publicado.