Economia

Greve na CP levou à supressão de três quartos das ligações ferroviárias

ESTELA SILVA

Adesão dos trabalhadores de superior a 90%.

A greve na CP, IP e afiliadas IP-Telecom, IP-Património e IP-Engenharia, motivou a supressão de 74% das ligações ferroviárias programadas, segundo levantamento da transportadora, com a federação sindical a reclamar uma adesão dos trabalhadores de superior a 90%.

Um levantamento feito pela CP, transmitido à Agência Lusa, relativo ao período 00.00-20.00 horas, apurou que foram realizadas 301 (25,7%) das 1170 ligações ferroviárias programadas.

As 869 ligações suprimidas dividem-se em 234 do serviço regional, 53 de longo curso, 154 de comboios urbanos do Porto e 428 urbanos de Lisboa.

José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), declarou à Agência Lusa que houve uma "adesão muito significativa" à greve, que quantificou "acima dos 90%, com toda a certeza".

Os trabalhadores vão agora aguardar pelo desenvolvimento das negociações sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2022, para ver até que ponto as suas pretensões são consagradas.

Aumentos salariais e reforço das contratações

A Fectrans e outras organizações sindicais convocaram para esta sexta-feira uma greve de trabalhadores da CP - Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal (IP), para reivindicarem aumentos salariais e um reforço das contratações.

O protesto abrangeu trabalhadores da circulação e área comercial, comando de circulação e de infraestruturas, da área oficinal e serviços de apoio técnico-administrativo.

Em comunicado distribuído a meio do dia, a estrutura sindical apontou que, "com esta greve, os trabalhadores destas empresas demonstraram o seu descontentamento face ao sistemático congelamento dos salários que não têm crescido nestes últimos anos, o que os aproxima cada vez do SMN -- Salário Mínimo Nacional, criando já dificuldade ao recrutamento de novos trabalhadores".

O dirigente da Fectrans adiantou agora à Lusa que o aumento do SMN "faz concentrar trabalhadores no mesmo salário com categorias diferentes" e que, "com o que está anunciado para o SMN até ao final da legislatura, há categorias que ficam a 10 euros do SMN".

José Manuel Oliveira adiantou ainda que os sindicalistas tiveram uma reunião recente com o ministro Pedro Nuno Santos, na qual este admitiu que os salários são uma das "questões estruturantes" do setor e declarou que está a procurar que o próximo OE dê resposta às reivindicações dos trabalhadores.

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