Economia

BCE anuncia maior subida de sempre nas taxas de juro

BCE anuncia maior subida de sempre nas taxas de juro
JIM WATSON

Anúncio foi feito esta quinta-feira.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quinta-feira a maior subida de sempre nas taxas de juro: 75 pontos-base (três quartos de ponto percentual).

Um aumento que incide sobre as três taxas de juro diretoras do BCE e que é o segundo consecutivo deste ano.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que o aumento histórico não é a "norma", mas salientou que a avaliação será reunião a reunião.

Em conferência de imprensa após o anúncio do BCE, quando questionada sobre a eventual repetição de aumentos das taxas de juro da magnitude de hoje nas próximas reuniões, Lagarde disse que a subida "não é a norma", mas reforçou que a decisão será feita consoante os dados disponíveis, explicando que a instituição irá continuar a subir os juros.

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A taxa de juro das principais operações de refinanciamento passa de 0,50% para 1,25%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez de 0,75% para 1,50% e a taxa aplicada à facilidade permanente de depósito de 0% para 0,75%.

Esta subida tem efeitos a partir de 14 de setembro.

"O Conselho do BCE tomou a decisão de hoje -- e espera continuar a aumentar as taxas de juro -- porque a inflação permanece demasiado elevada, sendo provável que se mantenha acima do objetivo durante um período prolongado", refere o banco central em comunicado divulgado após a reunião do Conselho de Governadores.

Esta é a maior subida dos juros do banco central e o maior movimento desta dimensão, desde que em dezembro de 2008 o banco central decidiu em sentido inverso descer as taxas de juro em 75 pontos base.

A instituição presidida por Christine Lagarde justifica que "este passo importante antecipa a transição do nível extremamente acomodatício prevalente das taxas de juro diretoras para níveis que assegurarão um regresso atempado da inflação ao objetivo de 2% a médio prazo estabelecido pelo BCE".

Desta forma, o banco central indica que nas próximas reuniões espera voltar a aumentar as taxas de juro.

No entanto, salienta que irá reavaliar regularmente a sua trajetória de política monetária, conforme a evolução dos dados económicos, destacando que irá continuar a seguir uma abordagem reunião a reunião.

O banco central dá nota ainda que "as vulnerabilidades duradouras causadas pela pandemia ainda representam um risco para a transmissão regular da política monetária", pelo que irá continuar a aplicar flexibilidade no reinvestimento dos reembolsos previstos no âmbito da carteira do programa de compra de ativos devido a emergência pandémica.

O BCE pretende continuar a reinvestir, na totalidade, os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do programa de compra de ativos "durante um período prolongado após a data em que começou a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE e, em qualquer caso, enquanto for necessário".

Explica ainda que na sequência do aumento da taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito para um nível superior a zero decidiu hoje suspender o sistema de dois níveis, fixando o multiplicador em zero.

Assinala também que "está preparado para ajustar todos os seus instrumentos", destacando que o Instrumento de Proteção da Transmissão está disponível "para contrariar dinâmicas de mercado desordenadas, injustificadas e passíveis de representar uma ameaça grave para a transmissão da política monetária em todos os países da área do euro".

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