Economia

Um em cada três portugueses já reduziu o consumo de bens de primeira necessidade

Sondagem SIC/Expresso

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Segundo uma sondagem SIC/Expresso, quase 90% dos portugueses considera que o pior ainda está para vir.

Um em cada três portugueses já está a reduzir os gastos com bens de primeira necessidade e quase 20% já começou a cortar em despesas de saúde. A sondagem do ICS e do ISCTE para a SIC e para o Expresso revela que quase metade dos portugueses já sente dificuldades para viver com o rendimento atual e que a grande maioria teme não conseguir pagar as contas da casa. Quase 90% acredita que o pior ainda está para vir.

Segundo a sondagem, dois em cada três portugueses consideram que a situação da economia portuguesa piorou ou piorou muito no último ano. Uma perceção negativa que cresceu 19 pontos de março para setembro.

Para metade dos inquiridos, o nível de vida do agregado familiar piorou; para 44% ficou na mesma. Para muito poucos, o nível de vida melhorou no último ano. No que toca aos emprego, 43% receia ainda que alguém da família fique desempregado.

Viver com o rendimento atual está a ser difícil ou muito difícil para 48% dos inquiridos. De tal forma que quase 70% dos portugueses já teme não conseguir pagar as contas da eletricidade, da água ou do gás. A maioria está igualmente preocupada com a hipótese de não conseguir pagar a renda ou a prestação da casa.

Perante o aumento dos preços, o comportamento das famílias já começou a mudar. Os passeios, as refeições fora de casa, os hobbies e os espetáculos foram os primeiros a sofrer cortes. Uma expressiva maioria dos portugueses revela que já começou a reduzir as despesas com atividades de lazer.

Mas os cortes no orçamento familiar já chegaram também aos bens essenciais: 62% dos portugueses já começou a reduzir o consumo de eletricidade, de água e de gás. Um em cada três já cortou nos bens de primeira necessidade e quase 20% admite estar a poupar nas despesas de saúde, abdicando de consultas e medicamentos.

A esmagadora maioria não acredita que a situação melhore num futuro próximo. Pelo contrário: a convicção generalizada de 9 em cada 10 portugueses é que o pior ainda está para vir.

O pacote de apoios anunciado pelo Governo não ajuda a descansar as famílias. Um terço dos inquiridos considera que as medidas do Executivo são más ou muito más. Apenas 18% fica satisfeito com as ajudas. Cerca de 40% mostra-se indiferentes, considerando que as medidas anti-inflação não são boas nem más.

Este estudo foi coordenado pelo ICS e pelo ISCTE. O trabalho de campo da GFK Metris foi realizado entre os dias 10 e 18 de setembro com base em 807 entrevistas válidas. A margem de erro máxima é de +/- 3,5%. O nível de confiança é de 95%.

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