Economia

Um novo grande Aeroporto em Lisboa, para dar negócios aos amigos?

Opinião

Um novo grande Aeroporto em Lisboa, para dar negócios aos amigos?
Jaromir Chalabala / EyeEm
As intermináveis discussões sobre a necessidade de construção de um novo aeroporto na Grande Lisboa deviam começar todas por uma pergunta: afinal, quantos aeroportos já existem nesta região? O mapa que mostramos neste artigo não deixa margem para dúvidas, Lisboa já tem seis, repito, seis estruturas aeroportuárias. Porque não, aproveitar uma das cinco disponíveis para reforçar a Portela?

Na região da Grande Lisboa, além do Aeroporto Humberto Delgado, já existem os aeroportos militares do Montijo e da Base Aérea de Sintra, bem como os aeródromos de Tires, de Alverca e da Ota. São seis infraestruturas ao todo.

Ora, se a Grande Lisboa tem seis infraestruturas aeroportuárias e se pelo menos uma ou duas são perfeitamente adaptáveis para receber voos low cost, podendo funcionar como complemento ao aeroporto da Portela, porquê construir mais um grande aeroporto de raiz?

A resposta só pode estar na seguinte observação: estamos num país de perdulários, que não têm dinheiro para construir novos hospitais - absolutamente necessários - nem linhas de TGV para integrar o país na Europa, mas que querem empurrar o Estado para mais uma ruinosa obra de regime.

Um novo aeroporto em Alcochete custaria três a quatro mil milhões de euros, mais outro tanto para construir acessos rodoviários e ferroviários e estruturas complementares, mais um a dois mil milhões de euros de custos financeiros, o que elevaria rapidamente o total para 10 mil milhões de euros.

A tese que atribui à ANA, concessionária de todos os aeroportos de Portugal, a responsabilidade do financiamento e da construção deste novo aeroporto, é ingénua e falaciosa. O que ficou previsto no contrato de concessão de 2012 foi a responsabilidade de reforçar a capacidade aeroportuária de acordo com a procura.

Ora, a procura pode ser facilmente satisfeita com a adaptação da base aérea do Montijo e com obras de reforço da Portela, tal como os responsáveis da ANA sempre disseram e continuam dispostos a financiar.

A ANA não está obrigada a fazer um novo aeroporto de raiz em Alcochete, nem nunca o financiará às suas custas.

Tal como a SIC noticiou há alguns meses, a ANA está, outrossim, disponível para uma renegociação do contrato de concessão que lhe permita receber meios financeiros do Estado para fazer um novo grande aeroporto em Alcochete, se essa for a vontade do Governo.

Mas a preferência dos franceses acionistas e do presidente português da ANA, José Luis Arnaut, sempre foi e continua a ser a Portela + 1. Esta solução seria rápida, eficiente, e de custos contidos: cerca de 1,2 mil milhões de euros.

Como vemos no mapa, além do Montijo, existem outras infraestruturas aeroportuárias na Grande Lisboa que, com pouco investimento, poderiam servir de reforço à Portela.

Aeroportos existentes na Grande Lisboa
Google Maps

Os cenários de futuro apontam também para um aumento substancial da utilização de comboios rápidos nas ligações entre as cidades europeias, diminuindo relativamente a utilização do transporte aéreo.

Mas tudo se encaminha para que o grande “centrão” dos interesses acabe por empurrar o Estado para os custos exorbitantes do novo aeroporto em Alcochete. Para isso se estão a ensaiar PS e PSD, sob o disfarce de entendimento para uma obra fundamental do regime.

As grandes construtoras dos esquemas já estão a esfregar as mãos de contentes. Os velados interesses que compraram os terrenos da região já fazem contas às chorudas mais-valias (de que não vão pagar impostos, por interpostas offshores).

Pobre Portugal, sempre condenado a pagar rendas milionárias a uns poucos e a viver na penúria generalizada.

Que fique escrito, preto no branco: estou contra um novo grande aeroporto em Lisboa. Já chega de pôr o Estado a gastar o dinheiro que não tem para enriquecer ainda mais os lobbies do regime.

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