Economia

A confirmarem-se previsões "não haverá recessão", mas Portugal estará próximo da "estagnação"

Opinião

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A OCDE prevê que o crescimento económico português abrande de 6,7% este ano para 1% em 2023 e José Gomes Ferreira explica, em análise na SIC Notícias, que "crescimentos à volta de 1% ou menos ainda é uma estagnação".

A OCDE prevê que o crescimento económico português abrande de 6,7% este ano para 1% em 2023, uma previsão acima da da Comissão Europeia, que antecipou que Portugal cresça somente 0,7%, e abaixo da do Governo (1,3%).

José Gomes Ferreira afirma que "a confirmarem-se estas previsões na verdade não haverá recessão", mas Portugal estará muito próximo "daquilo que se chama tecnicamente uma estagnação".

"Crescimentos à volta de 1% ou menos ainda é uma estagnação, não se cresce o suficiente para conseguir um avanço rápido em relação a indicadores fundamentais para a nossa vida em comum."

Para um crescimento saudável e sustentável é preciso existir "um crescimento induzido de fora provocado pelas solicitações externas à economia, exportações" e ainda um "investimento interno das empresas", explica José Gomes Ferreira.

No entanto, "nem as exportações estão a puxar pela economia, nem o investimento interno das empresas está ao nível que devia estar porque se quebrou a confiança".

"O que nos leva a perguntar sobre o modelo económico que temos e que queremos", considera Gomes Ferreira.

A partir de 2011, diz José Gomes Ferreira, foi implementado um modelo virado para as exportações, que provocou uma mudança estrutural da economia e fez com que até 2019 as contas externas do país estivessem equilibradas.

"Durante a pandemia os políticos não cuidaram de prevenir o modelo a seguir" e, mesmo depois de ultrapassados os efeitos mais maléficos" provocados pela covid-19, o "modelo continuou baseado na procura interna, no aumento dos custos e não se sai disto".

A divida total (Estado, famílias e empresas) é quase quatro vezes tudo o que se produz em Portugal num ano: 800 mil milhões de euros. Só o próprio Estado, em valor absoluto, já vai em 300 mil milhões de divida e "acha-se que está tudo bem": "Politicamente vende-se a ideia que em relação ao PIB a dívida esta a descer - e é verdade - mas em valor absoluto temos de pagar aquele dinheiro".

No relatório com as previsões económicas mundiais, a OCDE diz que, apesar de o "Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) impulsionar investimento público, há o risco de que persistam os atrasos na sua implementação".

José Gomes Ferreira considera que o "Governo é vítima da sua própria incúria de não promover o levantamento das burocracias e apanhou por tabela, porque foi vitima da própria falta de vontade resolver o problema".

"Um garrote para que se criem empregos e se ande para a frente, qualquer coisa é um pretexto para não deixar fazer", afirma.

Quanto à inflação, o relatório da OCDE situa-a em 8,3% em 2022 e 6,6% em 2023, ou seja as previsões são que "continue alta".

José Gomes Ferreira diz mesmo que "muita gente na vida pública ainda não percebeu o que é o fenómeno de emissão de dinheiro em excesso". Christine Lagarde dizer que não sabe de onde veio a inflação é de uma "incompetência de quem esta no topo de um banco central europeu": “Ela sabe de onde veio ou devia saber. (…) Veio da emissão exagerada de dinheiro e os Governos não fizeram reformas estruturais", aponta Gomes Ferreira.

No caso de Portugal, "não se fez reforma estrutural nenhuma": "Estamos a comprometer o nosso futuro, dos nossos filhos, netos e bisnetos. (...) Mas achamos que está tudo bem, a natureza da política é esta".

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