Economia

Brasil e Argentina querem criar moeda comum

O Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, e o homólogo do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva
O Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, e o homólogo do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva
ADRIANO MACHADO

Os dois países querem dar o tiro de partida para o estudo de uma moeda única esta semana numa cimeira bilateral. O Brasil já sugere um nome para a divisa: o "sur".

O Brasil e a Argentina querem criar uma moeda comum para reduzir a dependência do dólar norte-americano e fomentar o comércio entre os países da América Latina, noticia o “Financial Times” esta segunda-feira, 23 de janeiro.

Representantes dos dois países deverão anunciar o projeto no decorrer desta semana e encontrar-se-ão em Buenos Aires, capital da Argentina, para dar o tiro de partida ao estudo oficial desta possibilidade. Apesar da iniciativa ser bilateral, outros países da região serão convidados a participar, segundo o jornal britânico.

A moeda, que o Brasil já chama de “sur” de forma não-oficial, numa alusão à posição geográfica no globo dos países envolvidos, se for avante, não irá substituir o peso e o real num primeiro momento e irá circular em paralelo com estas duas divisas.

O jornal calcula que uma moeda que abrangesse toda a América Latina representaria 5% do produto interno bruto global e tornar-se-ia, a concretizar-se, na segunda maior região com moeda única.

Porém, teme-se no Brasil que uma moeda única com a Argentina, país com graves problemas fiscais, ainda a dever mais de 40 mil milhões de dólares referentes ao resgate de 2018 ao Fundo Monetário Internacional; e com inflação significativamente mais alta - em dezembro, a taxa de inflação argentina rondou os 95%, face a 5,8% no Brasil - possa significar problemas adicionais para Brasília.

O recém-empossado Presidente brasileiro, Lula da Silva, escolheu a Argentina para fazer a sua primeira visita externa e, desde domingo em Buenos Aires, deverá fazer o anúncio oficial deste processo de intenção esta semana, segundo o “Financial Times”.

Daqui à sua concretização, porém, o caminho é longo: “Não quero criar falsas expectativas… é o primeiro passo de um longo caminho que a América Latina deve percorrer", disse o ministro da Economia argentino, Sergio Massa, em entrevista ao jornal, recordando que, do papel à circulação, a zona euro demorou 35 anos a implementar a moeda única europeia.

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