50 anos da chegada do Homem à Lua

A minha Lua

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

O jornalista da SIC Lourenço Medeiros tinha seis anos quando viu o Homem a pisar a Lua pela primeira vez.

That's one small step for man, one giant leap for mankind. (Neil Armstrong/NASA)

É uma daquelas histórias de família. Porque tenho mais 2 anos 6 meses e 12 horas e meia de idade que o meu irmão, eu vi em direto a chegada do homem à Lua. Ele não. E estávamos lá os dois, na casa do avô. Ou antes, ele não se lembra ou talvez estivesse a dormir, há aqui e ali uma ponta de ciúme um laivo de picardia, vá lá saber-se porquê.

É sem dúvida dos momentos mágicos da minha infância, e não é fácil explicar na era do YouTube o que representou na minha vida o privilégio de ter visto a chegada do homem à Lua.

Eu tinha 6 anos, em minha casa não existia televisão, o que me diziam quando eu era pequeno é que a televisão não era boa para as crianças. Imagino que fosse um misto de ideias pedagógicas (como hoje se discute dar ou não um tablet à criança) com o preço do aparelho.

A verdade é que ver o direto implicou ir passar a noite a casa dos avós paternos e dormir numa cama improvisada num sofá da “salinha pequena” para mim e para o meu irmão. Não faço ideia de quais foram as disposições para os meus país, não faz parte das minhas memórias. Ir a casa dos meus avós, era uma rotina semanal, mas não esta euforia esta excitação, este quase acampamento, a autorização para ficar acordado, as explicações dos adultos. Estariam talvez conscientes de que a criança também ia guardar para si um instante irrepetível na história da humanidade e quem sabe um dia escrever a experiência, uns 50 anos depois.

O meu pai, que me repetia sempre, sabes que é tão inacreditável que há ainda quem não acredite que isto está a acontecer, parecia que ainda precisava que o convencessem por mais certeza que tivesse. Mas eu vi. Digam lá o que disserem e tenho plena consciência que as memórias dos meus seis anos são reconstruídas, reorganizadas, reestruturadas, eu vi, e desde esse dia sei que, sempre que olho para ela, ela é um pouco minha. Ficou-me esse espanto, sentir um mundo inteiro num só homem.

Toda a evolução ali, só muito depois percebi, tudo o que foi preciso para lá chegar, a tecnologia, a política, a economia, a ciência, a loucura, naquela pegada. Eu vi.

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