Abusos na Igreja Católica

Papa despede clérigo francês alvo de denúncias por agressão sexual

Papa despede clérigo francês alvo de denúncias por agressão sexual
Chadchai Ra-ngubpai

Um religioso francês foi demitido pelo Papa Francisco após denúncias que remontam aos anos 90.

Um religioso francês da comunidade católica Irmãos de São João, Benoît-Emmanuel Peltereau-Villeneuve, que tinha sido alvo de denúncias por "graves agressões sexuais", foi demitido do estado clerical pelo Papa Francisco.

"O Papa Francisco decidiu demitir Benoît Peltereau-Villeneuve do estado clerical sem possibilidade de recurso ou interposição de recurso", escrevem os Irmãos de São João em comunicado.

Os Irmãos de São João "tomam nota desta decisão que era esperada e que veio concluir anos de procedimentos, longos e dolorosos para as pessoas em questão", acrescentam.

A CDF já tinha proferido esta sentença em 2011, mas o religioso recorreu da decisão, segundo o instituto.

Os factos alegados, que remontam "à década de 1990" no caso das vítimas mais velhas, "são numerosos e graves", em particular "no contexto do acompanhamento espiritual das irmãs de São João e das mulheres adultas", afirma o instituto.

Peltereau-Villeneuve foi "prior em Genebra durante 12 anos entre 1988 e 2008 e organizador de eventos importantes", como o Festival Agapé, um festival internacional de música e arte sacra, segundo a mesma fonte.

No início de 2008, "na sequência de denúncias", o bispo de Genebra demitiu Peltereau-Villeneuve do seu ministério e apresentou denúncia à justiça suíça, que então encerrou o processo por prescrição dos factos.

Segundo o instituto, o religioso também acionou a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) contra a justiça suíça e, em 2014, a CEDH condenou a Suíça por violação da presunção de inocência.

"Também apresentou queixa contra um irmão, uma irmã e vários leigos, acusando-os de o terem caluniado", avança o instituto.

Os Irmãos de São João têm cerca de 450 religiosos apostólicos presentes nos cinco continentes.

No passado, vários irmãos da comunidade, que são chamados de "pequenos cinzas" por causa da cor de sua roupa, foram julgados por violência sexual.

Em 2015, o instituto criou uma comissão "SOS-abuso", responsável por "tratar dos casos de abuso sexual de que os irmãos são culpados ou pelos quais estão implicados".

Em 2019, esta comissão contabilizou 27 irmãos que cometeram agressões sexuais a adultos e seis a menores, tendo Benoît-Emmanuel Peltereau-Villeneuve sido um deles, disse o instituto religioso à AFP.

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